Relatórios

Ilustração em flat design de uma mulher trabalhando remotamente em um tablet. Otimizada para artigos sobre tecnologia, produtividade, home office e vida urbana digital. Palavra-chave foco: mulher usando tablet home office.

Acessibilidade digital em relatórios corporativos: como a inclusão impacta a governança e a nota nos ratings ESG

No ambiente corporativo, a transparência e a prestação de contas socioambiental tornaram-se pilares centrais da governança. No entanto, um aspecto crítico da prestação de contas costuma ser negligenciado: a acessibilidade das plataformas e documentos publicados. Em setembro, mês dedicado à conscientização sobre a inclusão das pessoas com deficiência, o debate sobre o futuro do relato corporativo exige uma reflexão prática. Afinal, a sua empresa entrega informações acessíveis a todos os públicos ou impõe sem se dar conta das barreiras de navegação e leitura? Da comunicação à maturidade em governança A acessibilidade digital não deve ser tratada como um mero ajuste estético ou um “bônus” de responsabilidade social corporativa. Sob a ótica de investidores, auditores e agências de rating, a garantia de acesso equitativo à informação é um indicador direto de maturidade em Direitos Humanos, Inclusão e Governança da Informação. Relatórios anuais publicados em formatos inacessíveis, como PDFs que não suportam leitores de tela, infográficos sem descrição técnica de imagem (Alt Text), baixo contraste de cor ou navegação incompatível com teclado, excluem parcelas significativas da sociedade e geram fragilidades na transparência corporativa. O impacto direto nos ratings ESG e na regulamentação global Três fatores principais explicam por que a acessibilidade em relatórios e Centrais de Transparência se tornou um requisito de gestão: Pontuação em índices ESG (como o ISE B3): questionários e metodologias de avaliação de sustentabilidade analisam a comunicação corporativa e a gestão de diversidade e inclusão. Garantir canais de prestação de contas acessíveis demonstra a aplicação prática de políticas de Direitos Humanos e comunicação não discriminatória. Conformidade com os padrões globais (GRI, IFRS e WCAG): as diretrizes internacionais de reporte exigem que a informação seja clara, compreensível e comparável. No campo tecnológico, isso se traduz no cumprimento das diretrizes da Web Content Accessibility Guidelines (WCAG 2.2), mantidas pelo W3C, que estabelecem os critérios universais para leitura e navegação digital. Pressão Regulatória Internacional (European Accessibility Act): com o avanço de regulamentações globais, como a Diretiva Europeia de Acessibilidade, a conformidade digital passou a ser exigência legal para empresas que atuam ou distribuem serviços no mercado internacional. O não cumprimento dessas diretrizes expõe as organizações a passivos de reputação e de conformidade. A acessibilidade desde o início do projeto Para que um relatório seja efetivamente acessível, a acessibilidade precisa ser planejada desde a fase de arquitetura de informação e design. Tentar “adaptar” um documento pronto no final do processo costuma gerar custos adicionais e resultados ineficientes. O desenvolvimento de um relato acessível abrange: Design e diagramação inclusivos: estruturação de tipografia, hierarquia visual de títulos e contraste de cores adequado. Leitura de tela e automações assistivas: código e estrutura de arquivos (PDF e HTML) preparados para interpretação por softwares leitores de tela e navegação assistiva. Centrais de Transparência Universais: plataformas digitais desenvolvidas com navegação por teclado, transcrição de conteúdos multimídia e usabilidade garantida para investidores, analistas e sociedade civil. Com mais de duas décadas de liderança na elaboração e publicação de relatos corporativos no Brasil, a Report combina consultoria estratégica e expertise tecnológica. Acompanhamos nossos clientes em todo o ciclo de produção dos relatórios anuais e de sustentabilidade, garantindo rigor técnico, conformidade regulatória e soluções digitais nativamente acessíveis. À medida que entramos na temporada de kickoff e planejamento dos relatos para o próximo ano, a sua empresa tem a oportunidade de alinhar a prestação de contas aos mais altos padrões de governança e inclusão. Entre em contato com o nosso time para estruturar um processo de relato transparente, auditável e acessível a todos.

Relato ESRS: estudo de caso CRONIMET com apoio da Report

Relato ESRS: aprendizados e avanços no segundo ciclo da CRONIMET

Empresa antecipa exigências da União Europeia e consolida o relato como ferramenta estratégica A CRONIMET, multinacional alemã especializada na reciclagem de metais, publicou seu segundo relatório de sustentabilidade com referência aos European Sustainability Reporting Standards (ESRS). A decisão de fazer a transição voluntária para os critérios da União Europeia, mesmo sem obrigação legal em 2024, reflete uma visão estratégica de longo prazo: transformar o relato em ferramenta de gestão, antecipando exigências regulatórias e estruturando sua jornada rumo à descarbonização. “Para nós, o relato é mais do que uma obrigação formal — é uma ferramenta estratégica para desenvolver a empresa de forma sustentável e preparada para o futuro.” — Annette Gartner, CIO/CHRO da Cronimet O contexto, no entanto, é desafiador. De um lado, as regras da CSRD estão em revisão — em 2025, a Comissão Europeia anunciou um pacote de ajustes legislativos conhecido como Omnibus, com o objetivo de simplificar os processos e reduzir os custos de implementação dos ESRS. De outro, empresas que se antecipam ao marco regulatório enfrentam o desafio de aplicar padrões em constante evolução, ainda com escassa maturidade de mercado. Nesse cenário, o segundo ciclo de relato da CRONIMET apoiado pelo Grupo Report serviu como um verdadeiro laboratório. A companhia se aprofundou na análise de dupla materialidade, consolidou metas climáticas com validação da SBTi e aprimorou a estrutura de comunicação dos resultados — com destaque para a seção “In Brief”, desenvolvida com apoio da Report, com  aplicação para diferentes públicos. A Report atuou como parceira técnica ao longo de todo o processo, auxiliando na superação de lacunas de dados e adaptando metodologias à lógica dos ESRS. Mais do que um exercício de relato, o projeto exigiu leitura crítica da norma, escuta ativa e flexibilidade para adaptar o cronograma às necessidades emergentes da organização. Um aprendizado mútuo que reforça a capacidade técnica da Report em projetos regulados por marcos internacionais. A CRONIMET seguirá trabalhando internamente para reduzir lacunas no relato e se preparar para o próximo ciclo. Independentemente do escopo futuro, a experiência acumulada pavimenta o caminho para uma jornada mais estratégica e eficiente — e a Report segue pronta para apoiá-la. Estudo de caso: CRONIMET Avanços   Aplicação estruturada da análise de dupla materialidade, com maior envolvimento das áreas internas; Definição de metas de redução de emissões com validação da SBTi, alinhadas ao Acordo de Paris; Criação da seção “In Brief”, facilitando o uso do relatório em diferentes contextos de comunicação; Adoção crescente da lógica dos ESRS pela equipe da Report e do cliente, com maior maturidade técnica ao longo do projeto. Desafios Necessidade de soluções internas para preencher lacunas de dados; Revisão de etapas do cronograma para atender à lógica de ciclos e validações dos ESRS; Preparação do sistema de coleta de dados para a inserção de indicadores ESRS na Central ESG® e adaptação do projeto de design. Lições aprendidas A transposição direta de práticas do GRI não funciona nos ESRS: nova abordagem é indispensável; Persistem dúvidas sobre o que realmente deve ser reportado de acordo com a da norma, reforçando o papel da assessoria técnica; Separar os entregáveis por finalidade (compliance, gestão, comunicação) pode melhorar a eficácia; Projetos sob nova regulação exigem governança sólida e escopo bem delimitado desde o início.

Proposta da EFRAG simplifica os ESRS e reduz requisitos de reporte

ESRS: o que muda com a proposta de simplificação da EFRAG

Reduções expressivas, reestruturação metodológica e maior alinhamento com padrões internacionais marcam a nova versão dos ESRS apresentada em julho. Por Bárbara Virgili da Costa e Carolina Blois, consultoras em sustentabilidade na Report Em maio de 2025, a Comissão Europeia emitiu à EFRAG um mandato oficial para revisar e simplificar os European Sustainability Reporting Standards (ESRS). A solicitação partiu do reconhecimento de que as normas, ainda que robustas, exigem ajustes para refletir a diversidade de maturidade das empresas frente à agenda de sustentabilidade. Desde então, uma série de reuniões técnicas e públicas culminou na versão 1.6 dos Draft Amended ESRS, apresentada ao longo de julho. O Grupo Report acompanhou de perto esse processo e resume, a seguir, os principais destaques. Seis eixos da proposta de revisão Simplificação da avaliação de dupla materialidade (DMA); Maior legibilidade e concisão das declarações de sustentabilidade, com melhor integração ao relatório corporativo; Revisão crítica da relação entre os Requisitos Mínimos de Divulgação (MDRs, agora GDRs) e os tópicos temáticos; Melhoria da clareza e acessibilidade do texto normativo; Introdução de medidas de alívio para redução da carga de reporte; Maior interoperabilidade com frameworks internacionais, como o ISSB. Quais reduções já foram feitas? As mudanças anunciadas até aqui já representam um corte relevante nos requisitos de reporte: 58% de redução nos data points obrigatórios (“shall”) 97% de redução nos voluntários (“may”) 26% dos MDRs (agora GDRs) eliminados A proposta não apenas alivia a carga de trabalho das empresas, mas reafirma a lógica de proporcionalidade e materialidade: o foco deve estar no que realmente importa. Normas gerais (ESRS 1 e ESRS 2): estrutura, materialidade e flexibilidade ESRS 1 – Requisitos gerais As mudanças estruturais no ESRS 1 fortalecem a aplicabilidade prática: Os comandos “shall” agora são apresentados como data points separados; As orientações obrigatórias passam a integrar diretamente os itens de divulgação (como os Application Requirements); Os conteúdos não obrigatórios foram transferidos para guias ilustrativos (NMIGs-Non-Mandatory Illustrative Guidance); Introdução do conceito “gross versus net”, que diferencia impactos brutos e líquidos na avaliação de materialidade; Substituição do termo “matter” por “topic” ou “subtopic”.  De forma geral, as empresas passam a contar com mais autonomia para definir o nível de reporte, de acordo com seu contexto e maturidade, bem como uma cobertura proporcional da cadeia de valor e definições mais claras sobre as fronteiras de reporte. Dupla materialidade e fair presentation A nova seção “considerações práticas” reforça a aplicação proporcional da dupla materialidade; A materialidade da informação é reconhecida como filtro central da declaração de sustentabilidade; O conceito de fair presentation (apresentação fiel), oriundo do ISSB, passa a ser incorporado, com foco em relevância e representação verdadeira — tema que gerou debate quanto à maturidade das empresas europeias para aplicá-lo com o mesmo rigor dos relatórios financeiros.  ESRS 2 – Governança, estratégia e modelo de negócios GOV-4 (antigo GOV-5): reduz a granularidade dos relatos narrativos e reforça a compatibilidade com o IFRS S1/S2; SBM-3: duas opções foram apresentadas e serão decididas na consulta pública: Dados financeiros quantitativos obrigatórios, com possibilidade de justificativa e uso de qualitativos; Informações qualitativas obrigatórias e quantitativas opcionais. GDRs substituem MDRs Os novos GDRs só são exigidos se a empresa tiver políticas, metas ou ações sobre o tema — uma mudança importante que respeita o princípio da aderência à realidade. Normas ambientais (ESRS E1 a E5): cortes, clareza e convergência A reunião de 16/07 marcou a apresentação oficial das propostas de simplificação para os padrões ambientais. Abaixo, os principais pontos: Objetivos da revisão ambiental: Redução de requisitos narrativos e métricos em IRO-1, SBM-3 e PATs; Clareza nos indicadores quantitativos (nível 4); Eliminação de redundâncias e aumento da compatibilidade com IFRS. ESRS E1 – Mudança Climática Item Ajuste E1-1 (Plano de Transição) Condensação narrativa e foco em compatibilidade com o cenário de 1,5°C E1-2 (Riscos Climáticos) Incorporação do IRO-1 com categorização temporal simplificada E1-3 (Resiliência) Alinhamento com IFRS S2 e destaque para avaliação quantitativa E1-4 e E1-5 (Políticas e Ações) Evita sobreposição com ESRS 2; adaptação climática realocada E1-6 (Metas) Retira a exigência de “net zero”; amplia flexibilidade para metas por intensidade E1-7 (Energia) Elimina intensidade energética por receita líquida E1-8 (Emissões GEE) Intensidade torna-se voluntária; escopos 1, 2 e 3 permanecem obrigatórios E1-9 (Créditos de Carbono) Exige detalhamento, mas sem vínculo com metas net zero E1-10 (Preço Interno de Carbono) Informações mínimas sobre uso e definição do preço E1-11 (Impactos Financeiros) Redução da complexidade narrativa Reduções no E1: “Shall”: -53% (84 de 196) “May”: -87% (13 de 15) ESRS E2 – Poluição Eliminação do IRO-1 e do E2-6; E2-4 passa a exigir relato sobre microplásticos e emissões atmosféricas sem depender do E-PRTR; Discussões importantes sobre: A ambiguidade no parágrafo AR 4.16(a), que trata de poluentes na cadeia de valor; A ausência de uma lista exemplificativa de poluentes reportáveis; E2-5 diferencia fabricantes de químicos e usuários finais, com base no regulamento REACH. ESRS E3 – Água Restrição a água doce (recursos marinhos fora do escopo direto); E3-4 torna obrigatória a caracterização do balanço hídrico em áreas críticas (de “may” para “shall”); Debate aberto: o balanço hídrico deve incluir a cadeia de valor? ESRS E4 – Biodiversidade e Ecossistemas E4-1 exige plano de transição em conformidade com o Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework; E4-5 solicita identificação apenas dos sites mais relevantes, dispensando relato universal. ESRS E5 – Recursos e Economia Circular E5-4 introduz os “materiais-chave” e faz referência ao Critical Raw Material Act; E5-5 flexibiliza métricas de reciclabilidade e descarte, com destaque para reuso e segmentação por tipo de resíduo. Reduções entre E2 e E5: “Shall”: -67% (89 de 170) “May”: -100% Normas sociais (S1 a S4) e governança (G1): foco em princípios e coerência A simplificação dos padrões sociais reflete um movimento mais profundo: redução de volume, eliminação de repetições e adoção de abordagens baseadas em princípios. Diretrizes gerais da revisão social Redução da complexidade da avaliação de dupla materialidade Convergência com o relatório corporativo Reavaliação crítica dos requisitos mínimos Clareza textual Dispensas com base em ônus excessivo Padrão Total original Deletados Redução S1 – Força de trabalho

O Relato Integrado, que recentemente completou uma década de difusão no Brasil, tem sido cercado de incertezas.

Relato Integrado segue forte – e é a escolha ideal para quem adotar as Normas IFRS S1 e S2

Guto Lobato, gerente de educação do Grupo Report    Para quem está habituado ao vocabulário do mundo dos relatos corporativos, uma sigla que recentemente completou uma década de difusão no Brasil tem sido cercada de incertezas. Afinal, qual o futuro do <IR>? <IR> é um substituto, no inglês, para Relato Integrado – movimento iniciado em 2010 e que, em 2013, começou a ganhar visibilidade por meio de um Framework lançado pelo então International Integrated Reporting Council (IIRC). Hoje sob gestão da IFRS Foundation, essa diretriz incentiva uma comunicação de resultados orientada pela conectividade da informação – demonstrando, em relatos que aliam aspectos financeiros e não financeiros, como um negócio cria, protege ou perde valor no curto, médio e longo prazos. Na última década, vimos o Relato Integrado sair do Norte Global e se tornar um padrão importante de divulgação de resultados em solo brasileiro e outros países da América Latina. A adesão cresceu e, hoje, mais de 50% das companhias brasileiras mencionam o <IR> em seus documentos, conforme o estudo “Os Caminhos do Relato ESG” (2021), do Grupo Report. Além disso, estudo da International Federation of Accountants (IFAC) entre 2021 e 2022 apontou que o Brasil está entre os 4 países que mais publicam Relatos Integrados, atrás apenas de mercados exigentes, como África do Sul e Espanha. Bons relatórios podem ser palatáveis para investidores – essa é a mensagem de fundo do Relato Integrado, cuja adoção passou a ser incentivada pelo mercado de capitais, citada na Lei das Estatais e praticamente obrigatória para grandes companhias listadas. Mesmo assim, houve quem dissesse, de 2020 ou 2021 para cá, que o <IR> estava perdendo espaço. O motivo, no geral, são as diversas outras diretrizes e normas que ganharam força no País: SASB, TCFD e, agora, as Normas IFRS S1 e S2. Isso sem contar as Normas GRI, da Global Reporting Initiative, que seguem sendo o default do relato ESG com sua visão centrada em impactos dos negócios sobre a sociedade, as pessoas, a economia e os direitos humanos.   O que está acontecendo com o relato integrado Para elucidar essa questão e colocar uma pá de cimento sobre as dúvidas, a IFRS Foundation organizou um webinar, sugestivamente intitulado “What is happening to the Integrated Reporting Framework?”. Destinado aos membros da IFRS Sustainability Alliance, grupo do qual a Report faz parte, o encontro foi liderado pelo grupo de Conectividade e Relato Integrado do International Sustainability Standards Board (ISSB) da IFRS – os responsáveis pelas Normas IFRS S1 e S2. Vários insights e indicações foram dados nas falas dos palestrantes, e os resumimos em quatro key points que detalhamos a seguir: 1) O <IR> é efetivamente um movimento global, mas a América Latina e a do Norte não são líderes. Hoje, mais de 2.500 empresas em mais de 75 países adotam o Framework de Relato Integrado. Desde 2021, porém, o protagonismo é gritante para Ásia e Oceania, de onde saem 59% desses relatos. As Américas respondem por apenas 9% do total, a Europa representa 18% e Oriente Médio e África, 14%. Em termos setoriais, o Financeiro e o de Infraestrutura são os mais representativos, seguidos de Transformação de Recursos, Mineração e Extrativismo, Tecnologia, Comunicações, Alimentos e Bebidas. Segmentos como healthcare ainda são pouco expressivos. 2) O <IR> está vivo e presente na construção das Normas IFRS, especialmente a S1 A Norma S1 orienta a divulgação de informação financeira atrelada a riscos e oportunidades em sustentabilidade. Nos seus princípios fundamentais, estão conceitos já trabalhados no Framework <IR>, com destaque para as concepções de Conectividade e de Materialidade – esta, com viés financeiro, diferentemente do olhar de materialidade de impacto da GRI ou da dupla materialidade das Normas ESRS. Além disso, os Elementos de Conteúdo do Framework <IR> são basicamente defendidos e detalhados nos critérios de divulgação das Normas S1 e S2. Vamos a uma frase mencionada na apresentação do webinar: “The Integrated Reporting Framework provides principles-based guidance for reporting structure and content, whereas IFRS S1 and IFRS S2 also require companies to provide industry-specific disclosures to help investors understand sustainability and climate-related information on risks and opportunities in greater detail.” 3) Já existe interoperabilidade entre <IR> e IFRS S1 e S2 A IFRS Foundation lançou ao final de 2023 uma ferramenta que explica como a aplicação do Framework <IR> deve ser combinada às Normas IFRS. Intitulada “How to apply the Integrated Reporting Framework with IFRS S1 and IFRS S2: A mapping tool”, ela está disponível no site da entidade e faz uma correlação dos disclosures das normas e dos elementos de conteúdo do Relato Integrado. 4) Normas SASB e IFRS são a escolha certeira para Relato Integrado – e vice-versa IFRS S1 e S2, assim como as Normas SASB, são os padrões por excelência para adotar em um Relatório Integrado, por trazer indicadores associados a temas materiais sob a ótica financeira (atendendo, portanto, provedores de capital financeiro) e permitir uma apresentação de dados que demonstre o pensamento integrado e incentive um comportamento responsável por parte de investidores e instituições financeiras. A importância da formação em <IR>: Curso certificado A mensagem da IFRS Foundation é, portanto, a de que o Relato Integrado é a via essencial tanto para facilitar empresas mais experientes na adoção das Normas IFRS S1 e S2 – que serão mandatórias a partir de 2026 para companhias listadas, fundos de investimento e empresas do ramo securitizador, conforme a Resolução 193/2023 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – quanto para iniciantes que precisam de orientação em seus primeiros processos de relato. No Grupo Report, fomos pioneiros ao ofertar no Brasil, de modo certificado pela IFRS Foundation, o Programa de Formação em Relato Integrado completo, em dois módulos – Introdutório e Praticante. Temos turmas realizadas do curso desde 2021 e, nos meses de janeiro e fevereiro de 2025, teremos turmas do Curso Certificado IFRS de Relato Integrado – módulos Introdutório e Praticante. O módulo Introdutório mergulha na matriz de competências <IR> explorando as noções de capitais, modelo de negócios, relato, pensamento e gestão integrados

O estudo "Perspectiva ESG", desenvolvido pelo time de Finanças Sustentáveis da Report, foca sua segunda edição em bioenergia e oferece aos investidores uma análise objetiva das principais empresas do setor, facilitando a compreensão e comparabilidade de sua maturidade ESG.

COP 16 Biodiversidade: Impactos, riscos e oportunidades

A biodiversidade é a nova fronteira nas discussões estratégicas de sustentabilidade.  Apesar de histórica por reunir um grande número de participantes, a COP 16, realizada em Cali, foi concluída sem que os países chegassem a um consenso sobre como serão financiados os projetos para alcançar as chamadas “metas da natureza”. Na prática, dos US$ 20 bilhões anuais que seriam alocados em um fundo global para esse fim, apenas 2% foram mobilizados no total até agora. A eliminação de US$ 500 bilhões em subsídios dos governos para atividades de impacto negativo, como desmatamento e combustíveis fósseis, ficou à margem das discussões. Continua também o impasse sobre a governança dos instrumentos multilaterais de financiamento. Os países em desenvolvimento demandam mais poder de decisão sobre a utilização dos recursos, compatível com o volume de biodiversidade que concentram em seus territórios. Entre as boas notícias, porém, esteve a garantia da participação permanente de indígenas e comunidades locais na convenção, além do reconhecimento da importância dos saberes tradicionais da população afrodescendente. A criação do Fundo Cali, mecanismo multilateral que vai receber os pagamentos da repartição de lucros obtidos com o uso do sequenciamento digital do “DNA da natureza”, irá destinar a essas comunidades metade dos recursos arrecadados, pelos seus serviços de conservação e conhecimento. Os oceanos também ganharam mais mecanismos de proteção, com a classificação de novas áreas marinhas como ecologicamente significativas e, portanto, incluídas nas metas de preservação até 2030. O chamado para as empresas Mesmo com a diplomacia ainda patinando, aumentaram consideravelmente as expectativas dos stakeholders para que as empresas revisitem a gestão dos negócios, assumindo compromissos e demonstrando com transparência suas práticas de proteção e restauração dos ecossistemas, bem como o uso sustentável dos recursos naturais terrestres e marinhos. Não há caminho possível e confiável para o net zero sem a natureza. Afinal,  mudanças climáticas e biodiversidade são interdependentes e ambas requerem a aceleração de iniciativas para atingir tanto as metas do Acordo de Paris quanto as do Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal. “Assim como as mudanças climáticas ganharam um caráter universal e transversal, a biodiversidade vai assumindo o papel de co-protagonista na mudança das relações entre a humanidade e o meio ambiente. As empresas estão conclamadas a contribuir para o atingimento dessas metas globais, além de incorporar a natureza na gestão de riscos financeiros”, avalia Renata Vallim, consultora de sustentabilidade do Grupo Report. Além dos impactos externos dos negócios na perda de biodiversidade, é cada vez maior o reconhecimento de que a resiliência dos ecossistemas também é um fator de risco financeiro. Por isso, GRI, TNFD, ISSB e o CDP estão trabalhando em conjunto para desenvolver normas e estruturas que atendam à demanda de relato de forma eficiente, simples e, principalmente, com sinergia. Como relatar a biodiversidade? 1. Aplique a dupla materialidade Identifique tanto os impactos positivos e negativos dos negócios na biodiversidade quanto os riscos financeiros e oportunidades aos quais a empresa está exposta com relação ao tema. Assim, você estabelece os fundamentos para o processo de relato. 2. Comece com o GRI Adote desde já o novo caderno GRI 101: Biodiversidade, lançado no início de 2024, com adoção obrigatória a partir de 2026. Ele substitui o documento anterior GRI 304-1 de 2016, com novos indicadores, maior abrangência e complexidade. Ele ajuda a entender quais decisões e práticas de negócios levam à perda de biodiversidade, onde esses impactos acontecem na cadeia de valor e como eles podem ser gerenciados. Dada a importância da América Latina para a biodiversidade, a GRI lançou durante a COP 16 as versões em português e espanhol da nova norma. 3. Complemente com o TNFD Uma vez aplicada a perspectiva do GRI, complemente o relato com as recomendações da TNFD, a Força-Tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza, lançadas em 2023. Ela orienta o mapeamento das dependências e dos riscos e oportunidades relacionados à biodiversidade que impactam a materialidade financeira da empresa.  Em 2024, a TNFD publicou o mapa da sua interoperabilidade com as normas GRI.  Durante a COP 16, a força-tarefa divulgou para consulta pública a primeira proposta de recomendações para a elaboração dos planos de transição em biodiversidade, nos mesmos moldes do que vem sendo adotado para as mudanças climáticas. Elaborado em conjunto com a Aliança Financeira de Glasgow para o Net Zero (GFANZ) e outros parceiros, o documento propõe as metas, ações, medidas de responsabilização e recursos que as empresas devem priorizar para alinhar seus esforços com as metas globais e relatá-los da melhor forma. 4. Prepare-se para a futura IFRS S3 Tanto a GRI quanto a TNFD estão colaborando estreitamente com o International Sustainability Standards Board (ISSB) no projeto de pesquisa sobre biodiversidade e ecossistemas. A expectativa é de que os aprendizados e experiências sejam utilizados na elaboração das futuras normas de contabilidade IFRS S3, que tratará dos riscos financeiros relacionados à biodiversidade. 5. A contribuição do CDP A TNFD e o CDP assinaram um acordo de colaboração para o alinhamento dos dados coletados pelas duas iniciativas, com a incorporação total das recomendações da TNFD na plataforma do CDP. Mais de um terço das empresas que utilizam o CDP já divulgam informações relacionadas à natureza, como o uso da água. No entanto, apenas 10% delas já mapearam suas dependências em biodiversidade.

Rolar para cima