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Ilustração de mulher negra com vestido colorido caminhando e usando smartphone em calçada de mosaico ensolarada

Por que a validação técnica é inegociável em um software de sustentabilidade e ESG

Desde as etapas iniciais, a análise de aderência na coleta de indicadores ESG é essencial para garantir boas práticas no processo de relato Imagine descobrir, durante uma auditoria externa, que um indicador foi calculado com uma metodologia incorreta ou que uma informação divulgada não atende aos requisitos do framework adotado. Muitas vezes, esse problema não está na coleta dos dados, mas na ausência de inteligência técnica por trás da plataforma digital. Um software pode automatizar processos, mas, se não acompanhar a evolução das normas e não incorporar conhecimento especializado em sustentabilidade, continuará reproduzindo informações inconsistentes. Em um cenário de crescente exigência regulatória, uma solução digital ESG precisa fazer mais do que armazenar dados: ela deve contribuir para garantir a consistência, a rastreabilidade e a aderência metodológica dos indicadores. Entre as referências, estão as normas da Global Reporting Initiative (GRI) e do Sustainability Accounting Standards Board (SASB), as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e da Task Force on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) e o Relato Integrado (<IR>), mantidos pela IFRS Foundation. Nos últimos anos, o acervo de diretrizes à disposição das empresas foi ampliado com o lançamento das normas IFRS S1 e S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB), e das europeias ESRS, da União Europeia.  A pesquisa Reporting Matters Brasil 2025, desenvolvida pelo CEBDS em parceria com o Grupo Report, oferece um panorama real dos padrões adotados por empresas nacionais. Na amostra de 82 relatórios analisados: 97% das publicações adotam as Normas GRI (sendo 55% no modelo “em conformidade” e 42% na abordagem “com base”). 77% utilizam as Normas SASB. 45% dispõem de dados que respondem às recomendações da TCFD. Como a Central Report incorpora a validação técnica Foi justamente para enfrentar esse desafio que desenvolvemos a Central Report. Diferentemente de plataformas que atuam apenas como repositórios de informações, a Central nasceu da experiência de uma consultoria especializada  com mais de duas décadas de experiência em normas e frameworks de sustentabilidade. Isso significa que sua evolução acompanha continuamente as mudanças nas diretrizes, nas regulamentações e nas necessidades práticas dos profissionais responsáveis pelo reporte de sustentabilidade e ESG.  Nossa abordagem combina tecnologia, inteligência artificial e conhecimento técnico especializado. A Inteligência Artificial realiza análises preliminares de aderência aos standards e frameworks, identificando potenciais inconsistências e oportunidades de melhoria. Em seguida, especialistas realizam a validação técnica final (human in the loop), assegurando que os indicadores atendam aos requisitos metodológicos aplicáveis. Durante todo o processo, a Central Report mantém a rastreabilidade das informações, registra o histórico de alterações, organiza evidências e permite acompanhar cada etapa da coleta, da validação e da aprovação. Preparação para a auditoria externa e asseguração de terceira parte A gestão das evidências é especialmente relevante para relatórios verificados por terceira parte, uma prática cada vez mais presente no processo de relato. Ainda segundo a pesquisa Reporting Matters Brasil 2025, a auditoria externa (total ou parcial) contemplou 84% dos documentos analisados. Nesse processo, que normalmente ocorre nas etapas finais do projeto, a validação técnica realizada durante a coleta dos dados é crucial para evitar ajustes significativos, e a rastreabilidade das informações inseridas auxilia na checagem dos auditores.  A essa abordagem híbrida, que confere precisão e consistência ao longo de todo o processo, soma-se a preocupação com a autonomia dos usuários. O ambiente virtual da Central Report foi desenhado para conferir agilidade e praticidade às etapas de coleta, gestão e comunicação de dados de sustentabilidade. Isso tem início desde a configuração dos indicadores no sistema: com a metodologia da linguagem simples e campos de resposta que espelham todos os requisitos previstos pelas diretrizes, os respondentes visualizam apenas os itens que devem ser preenchidos. Além disso, guias, tutoriais e canais de suporte contínuo estão disponíveis em um Help Center integrado à plataforma. Até o momento, mais de 500 empresas realizaram seus processos de gestão de indicadores na Central Report, e muitas já utilizam o sistema como um software ESG no modelo SaaS para monitoramento contínuo, incorporando a gestão de dados de sustentabilidade à tomada de decisão. Fale com a nossa equipe de Negócios e entenda como a Central Report pode apoiar a maturidade sustentável da sua organização. 

Uma mulher de suéter azul trabalhando em seu laptop à noite no home office, com luz quente da luminária e estante ao fundo.

Como escolher uma plataforma ESG: o perigo dos softwares que não validam dados

O grande volume de dados coletados exige um software de sustentabilidade e ESG que garanta precisão, consistência e aderência às normas globais Quem garante que os dados coletados estão corretos? À medida que surgem novas normas e regulamentações, um erro no processo de coleta pode comprometer as auditorias e a credibilidade das informações divulgadas. Por isso, escolher uma solução digital de dados de sustentabilidade e ESG deixou de ser apenas uma decisão tecnológica; é, fundamentalmente, uma decisão sobre governança e qualidade dos dados. O grande volume de indicadores que as organizações precisam gerenciar exige um software de sustentabilidade corporativa que garanta precisão, consistência e aderência aos frameworks globais. Com a crescente oferta de soluções no mercado, como encontrar a melhor solução digital capaz de apoiar a sua organização com segurança técnica? O que avaliar antes de escolher uma solução digital ESG Antes de contratar um software de sustentabilidade e ESG, vale verificar se ele oferece: Fluxos de validação das informações; Gestão estruturada de evidências; Rastreabilidade completa das alterações (Audit Trail); Atualização contínua dos frameworks; Controle de permissões e aprovações; Automação dos cálculos; Reaproveitamento de dados entre diferentes frameworks; Dashboards para gestão contínua dos indicadores. Elementos indispensáveis em um software de sustentabilidade A precisão e a rastreabilidade dos dados são elementos essenciais em qualquer solução digital de sustentabilidade e ESG. Um software pode automatizar a coleta das informações, mas isso não significa, necessariamente, que os dados estejam metodologicamente corretos. Sem validação técnica, a coleta e a divulgação dos dados implicam riscos operacionais e reputacionais. Sob o olhar atento dos stakeholders, erros na comunicação de indicadores ESG podem prejudicar a imagem da organização, os relacionamentos que mantém na cadeia de valor e o monitoramento das práticas internas. Para documentos submetidos a auditorias, esses riscos se agravam: a inconsistência das informações reportadas inviabiliza a conclusão do processo, levando a uma “corrida contra o tempo” para localizar a fonte dos dados, corrigir os registros e analisar a aderência. Precisão, tecnologia e rastreabilidade na Central Report Com esses desafios em mente, unimos nossas equipes de Consultoria e Tecnologia para desenvolver uma solução que assegurasse consistência e precisão ao longo de todo o processo. Esse movimento levou à criação da Central Report, nosso sistema de coleta, gestão e comunicação de dados de sustentabilidade. Com mais de 500 empresas atendidas, a Central Report passa por atualizações contínuas, incorporando demandas de usuários — ao todo, são mais de 8,2 mil cadastros ativos — para lançar novas funcionalidades. A Central Report retrata a nossa abordagem híbrida para a inovação no processo de relato e na gestão de indicadores: aliar o tratamento automatizado de dados à auditoria técnica e supervisão humana de especialistas em sustentabilidade. Com apoio da inteligência artificial (IA), nossa solução digital conta com dupla checagem: a verificação preliminar da IA e a validação dos especialistas, responsáveis pela checagem final do atendimento de cada requisito das normas e frameworks.  Monitoramento contínuo e eficiência operacional Para além do apoio no processo de relato e na divulgação, a Central Report oferece às organizações um caminho para a evolução na gestão de dados de sustentabilidade: o monitoramento contínuo. Disponível também como SaaS (software como serviço), nossa solução digital contribui para fortalecer o planejamento estratégico e a eficiência operacional ao permitir que tomadores de decisão tenham acesso estruturado a dados, análises, gráficos e dashboards, com precisão, consistência e rastreabilidade. Quer evitar falhas de compliance e otimizar a sua gestão? Conheça as ferramentas disponíveis da Central Report e agende uma demonstração.

Ilustração vetorial de quatro profissionais de negócios conversando em um escritório claro com janelas grandes.

Automação sem erro: como IA + especialistas ESG garantem indicadores precisos

A Central Report une inteligência artificial e checagem de especialistas em ESG para mitigar riscos, otimizar a gestão de dados e elevar a maturidade da estratégia de sustentabilidade corporativa Ferramentas movidas a inteligência artificial (IA) ganham espaço no mercado, remodelando as operações de empresas em diferentes segmentos. No campo da sustentabilidade corporativa, a IA tem sido uma grande aliada nas análises e no monitoramento de indicadores de sustentabilidade e ESG, permitindo que grandes volumes de informações sejam sistematizados, na automatização de tarefas repetitivas e acelerando análises.   e interpretados para apoiar a tomada de decisão, seja da própria organização ou de seus investidores.  Na Report, estruturamos iniciativas para avançar em ritmo constante no uso responsável de IA. Com um grupo de trabalho dedicado ao tema, lançamos ferramentas na Central Report que reforçam a validação técnica de indicadores de sustentabilidade, garantindo precisão ao aliar análises automatizadas à supervisão de consultores especialistas. Humano no loop: mitigando riscos na gestão de indicadores ESG Uma das principais entregas dessa jornada de inovação é a pré-análise de respostas via IA. A Central Report permite que os respondentes verifiquem a aderência das respostas às normas e aos frameworks adotados antes de prosseguir com o envio das informações. Nos testes, essa ferramenta atingiu mais de 80% de precisão. Como adotamos a abordagem human in the loop, todos os processos envolvendo IA são supervisionados pelos nossos especialistas, a fim de mitigar o risco de imprecisão nos dados reportados. “Sabemos que a IA acelera enormemente os processos, mas também que comete erros. A gerência e a supervisão humana são imprescindíveis. Por isso, trabalhamos sempre com consultores humanos no loop.”, Estevam Pereira, sócio do Grupo Report Tecnologia SaaS e dashboards dinâmicos para tomada de decisão Os clientes que optam pelo monitoramento contínuo (SaaS) na Central Report, que dispõe dos módulos de coleta, gestão e comunicação, também contam com assistentes de IA para suporte e orientação e para a criação de fórmulas. Os benefícios desse modelo, no entanto, não se limitam às ferramentas de apoio: além de entregar o gerenciamento autônomo de bancos de dados, que garante eficiência na tomada de decisão, o sistema possibilita a geração de gráficos, dashboards e soluções de comunicação para a análise e a divulgação estruturadas de indicadores de sustentabilidade. Precisão e autonomia Reforçamos nossos processos de validação técnica por meio dessas duas fases : a etapa prévia automatizada e a checagem dos consultores de sustentabilidade da Report. De olho na experiência dos usuários, buscamos ampliar as funcionalidades para garantir, também, a autonomia nos processos de análise, gestão e comunicação de dados. Nossa solução digital reúne funcionalidades voltadas à rastreabilidade das informações e à consolidação e interoperabilidade de indicadores. Todos com acesso à Central Report podem consultar o Help Center, que dispõe de canais de contato, guias e tutoriais. Ferramentas de acessibilidade e tradução automática complementam essa abordagem para assegurar que os usuários possam utilizar a plataforma com facilidade. Para manter a Central Report em evolução contínua, nossos times de Tecnologia e Consultoria trabalham em conjunto no desenvolvimento de novas funcionalidades, orientados por um roadmap que contempla feedbacks e sugestões de usuários.  Quer conhecer essa abordagem? A Central Report combina Inteligência Artificial, tecnologia e conhecimento especializado para apoiar organizações na coleta, gestão e comunicação de indicadores de sustentabilidade ESG com mais eficiência, rastreabilidade e segurança. Agende uma demonstração e descubra como a IA pode acelerar seus processos sem comprometer a qualidade das informações.

Empresas discutem na COP30 transição e adaptação em parceria com comunidades de entorno

Lidar com as mudanças climáticas tanto nos eixos de adaptação, com investimentos em segurança e resiliência, quanto na busca de redução de impacto, descarbonização e inovação social foi um tema constante na COP30 em Belém (PA). Com foco em debater exemplos concretos e caminhos dessa agenda, o diretor-executivo de Estratégia e Clima do Grupo Report, Victor Netto, participou como moderador do painel “Territórios resilientes: justiça climática, comunidades e novos modelos de desenvolvimento”. Organizado na Casa EY, o encontro teve participação representantes do Instituto Votorantim e de empresas como CBA, Citrosuco e Reservas Votorantim. Formação de mão de obra local, entendimento de fragilidades territoriais a eventos extremos ligados à mudança do clima, fomento ao ecoturismo e regeneração, diversificação de fontes de renda. Esses são alguns dos assuntos citados como convergentes na hora de avaliar o que empresas devem fazer junto das comunidades em que estão inseridas, com ganhos mútuos que vãodas cadeias de suprimentos às relações institucionais. “O que está em debate aqui é a integração empresa-território, com uma visão de valor compartilhado que dialogue com o modelo de negócio e adapte os conceitos de resiliência, transição, adaptação à realidade dos negócios e,principalmente, de cada comunidade”, ponderou Netto. O olhar para a cadeia de produtores e fornecedores foi um dos pontos de maior debate, integrando gestão de risco e criação de soluções alinhadas às metas de descarbonização e impacto positivo das empresas. A Citrosuco trouxe comoexemplo seu recém-anunciado programa de apoio a fornecedores não apenas na lida com as mudanças climáticas, mas também na geração de pomares regenerativos. Junto das linhas de crédito especiais, a companhia de citricultura assumiu custos de certificação com seus parceiros e, em parceria com o Itaú BBA, facilita o acesso a crédito e recursos. “Além de ser um caminho de adaptação, o projeto permite a obtenção de recursos com créditos de carbono que são aplicados em projetos regenerativos com a nossa assessoria técnica”, afirmouJullie Lucon, Especialista de Negócios de Carbono da Citrosuco. Mapeando riscos e caminhos de desenvolvimento Entre as iniciativas citadas de adaptação e busca de resiliência diante de eventos extremos, como chuvas intensas, inundações e secas, a CBA, do setor de metalurgia e mineração, relatou ter desenvolvido um índice de vulnerabilidade para os territórios em que a empresa mantém operações. A ideia é entender como cada comunidade está exposta de modo particular àsmudanças do clima e, com isso, definir prioridades e meios de mitigação de riscos que ao fim do dia afetam diretamente os negócios. “Precisamos entender as unidades mais expostas aos riscos climáticos e atuar com os municípios onde estamos presentes, inclusive porque nossosfuncionários e parceiros também estão nesses territórios”, comentou Ligia Carvalho, coordenadora de sustentabilidade da CBA. “Validamos esse entendimento com o conselho da companhia, para nos adaptarmos a eventos extremos com uma priorização coerente de investimentos.” Tatiana Motta, coordenadora de Projetos e Carbono da Reservas Votorantim, ressaltou que o relacionamento com os municípios também deve contribuir com o fortalecimento das vocações de cada região. Deu como exemplo o Legado das Águas, reserva privada de Mata Atlântica mantida pela Reservas Votorantim com 31 mil hectares, entre os municípios de Juquiá, Miracatu e Tapiraí, no Vale do Ribeira, em São Paulo. “Vimos isso na prática: o município precisa se preparar e tornar visíveis seus diferenciais. Então nossa contribuição vai além do aporte de recursos e envolve uma interface forte com municípios e moradores da região para atrair novos empreendimentos e atividades”, diz Tatiana. “Cada município está em um momento, em uma fase. Nosso papel é buscar observar como o clima afeta cada localidade e discutir e apoiar as soluções mais adequadas, sem impor modelos”, reforçou Rodolfo Mota, coordenador doPrograma de Apoio à Gestão Pública do Instituto Votorantim. Guto Lobato, gerente-executivo de educação corporativa, membro da comitiva Report na COP30

Finanças sustentáveis e a transição climática no Brasil: lições de um fórum estratégico

Em um dos eventos paralelos que ocorreram na COP 30 na Casa do Seguro, iniciativa da CNseg, ANBIMA e Febraban, o Fórum de Finanças Sustentáveis reuniu representantes do governo, setor financeiro, seguradoras e organismos multilaterais para debater estratégias para o financiamento da transição climática e o fortalecimento do papel do setor financeiro na construção de uma economia de baixo carbono.   Logo na abertura, a discussão sobre seguro rural foi usada como exemplo de como os efeitos da mudança do clima já pressionam o agronegócio e o planejamento de safra. Foi mencionado que está em desenvolvimento um desenho de seguro rural, com foco em cobrir melhor os riscos climáticos aos quais o setor do agronegócio está exposto e que tendem a se intensificar, reconhecendo o seguro como instrumento central de adaptação, e não apenas de proteção financeira tradicional. Além disso, representantes do governo apresentaram um conjunto de instrumentos recentes em finanças sustentáveis, como as emissões de títulos soberanos verdes, a Taxonomia Sustentável Brasileira, o Eco Invest e a criação da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, demonstrando que o Brasil tem avançado de forma significativa na construção de uma infraestrutura financeira mais robusta para acompanhar a transição, tanto do lado regulatório quanto do lado da mobilização de capital privado. Outro tema do debate foi a formação de uma coalizão aberta de mercado de carbono entre Brasil, China e União Europeia, que foi mencionado como relevante por fortalecer o diálogo multilateral diante do cenário geopolítico atual. E, além do fortalecimento do multilateralismo, o mercado de carbono brasileiro demonstra a capacidade e oportunidade do Brasil em dialogar com outros países em pé de igualdade, considerando sistemas de monitoramento, relato e verificação, contabilidade de carbono em nível de produto e mecanismos de ajustes de fronteira, como o CBAM. Nas discussões sobre o Plano de Transformação Ecológica e como o setor financeiro tem contribuído, o foco foi reconhecer os avanços recentes, mas deixando claro que tem diversas lacunas que precisam ser fechadas para os projetos seguirem bem, sobretudo encontrando soluções em conjunto. Nesse sentido, destacaram que existem projetos de interesse nacional, mas que ainda não avançaram pela necessidade de avançar em seguros e contratos de off-take, assim como capital catalítico para atrair os investidores e financiadores e atender a lógica de risco-retorno desses públicos. Com isso, o “espírito de mutirão” citado pelo Dan Ioschpe ao longo da COP 30 se encaixa perfeitamente, tendo em vista a necessidade de considerar cada elo da cadeia de valor para o sucesso da agenda, incluindo financiamento, seguro, cadeia produtiva e infraestrutura, de uma forma estruturada e organizada para ser eficiente e destravar a implementação. Ao abordar os motivos que ainda limitam a atração de capital, lembrou-se que o desenvolvimento socioeconômico brasileiro historicamente não incorporou plenamente a sustentabilidade, apesar do país ter um bônus competitivo em recursos naturais e potencial de descarbonização. Diante disso, foi levantado que o Brasil ainda precisa transformar seu potencial em carteira estruturada de projetos, com governança, modelagem financeira adequada e mecanismos de mitigação de risco. Assim, a COP 30 é vista como um grande chamado para implementação, considerando a lógica de que, se houver bons projetos e capacidade de entrega, os recursos tendem a aparecer. Já nas discussões sobre florestas e bioeconomia, o foco naturalmente voltou-se para a Amazônia, reforçando a ideia de que os instrumentos financeiros devem reconhecer o valor da floresta em pé, tanto como infraestrutura verde quanto ativo para resiliência e adaptação climática. Com isso, o TFFF foi mencionado como um dos grandes anúncios da COP30 justamente por romper com a lógica tradicional de doação e se estruturar como um mecanismo de investimento. Em relação às áreas públicas, o representante do Serviço Florestal Brasileiro destacou que existem programas de manejo florestal nas terras públicas federais que podem ser importantes para fornecer a madeira que o mercado demanda, sendo uma das soluções para gerar renda de forma legal, gerando empregos e reduzindo a pressão sobre áreas irregulares. Contudo, permanece a lacuna de seguros específicos para projetos de restauração em larga escala, o que limita a expansão de algumas iniciativas. Já na esfera privada, a bioeconomia é vista como o caminho para gerar renda a partir da floresta, especialmente por meio de cadeias de óleos, frutos e sementes amazônicas. No entanto, a dúvida que parece permanecer entre os investidores é em relação à existência de garantias adequadas para proteger esses projetos de eventos climáticos ou outras perturbações externas. Sem instrumentos apropriados de seguro e financiamento, o risco continua maior para quem tenta atuar de forma sustentável. Ao longo das discussões, foram mencionadas iniciativas que buscam ampliar o acesso a garantias para comunidades que vivem na floresta. Apesar dos avanços, o tema não foi central no debate, evidenciando que ainda há um caminho para amadurecer essa agenda e assegurar que os recursos cheguem justamente a quem mantém a floresta em pé. Tainara Sobrero consultora de sustentabilidade e estratégia, integrante da comitiva Report na COP30

Colaboração e coalizões para um futuro sustentável

Diante dos desafios globais que enfrentamos da crise climática às desigualdades sociais e considerando que a COP 30 vendo sendo reconhecida como a COP da implementação, torna-se cada vez mais evidente que nenhuma organização, governo ou indivíduo conseguirá avançar sozinho. O mundo exige colaboração, capacidade de escuta e a construção de coalizões fortes, capazes de alinhar visões, recursos e competências diversas em torno de um propósito comum. Construir um futuro melhor depende de reconhecermos que as soluções não estão em uma única mesa, mas na soma de múltiplas perspectivas. É na interseção entre setores, países, governos, culturas, saberes e experiências que surgem as respostas mais inovadoras e eficazes. Por isso, cada parceria é mais que uma união de esforços: é um convite para pensar diferente, criar junto e agir com mais impacto. Coalizões não são apenas alianças formais, são espaços de responsabilidade compartilhada. São ambientes de alinhamento antes da ação, onde divergências viram aprendizado e onde o compromisso coletivo permite avançar muito além do que qualquer iniciativa isolada. Abaixo estão listadas coalizões e colaborações que já apareceram na primeira semana de COP 30. Colaboração espacial para combate ao desmatamentoEspecialistas de agências espaciais internacionais participaram de uma mesa-redonda na Casa da Ciência, em Belém, discutindo a criação de uma coalizão espacial para monitoramento e combate ao desmatamento. Representantes de Austrália, Reino Unido e Gabão reforçaram a importância da cooperação científica internacional diante da velocidade das mudanças climáticas. Como disse Aboubakar Mambimba, diretor-geral da Agência Gabonesa para Estudos e Observações Espaciais: “Precisamos unir pessoas capacitadas para manter de pé nossas florestas, independentemente do país.” Coalizão Brasil Clima, Florestas e AgriculturaA coalizão lançou a publicação “Propostas para uma Transição Climática Global para o Setor do Uso da Terra”, apresentando dez medidas estruturadas nos três pilares da Agenda de Ação da COP 30. Reunindo mais de 400 representantes do agronegócio, setor financeiro, sociedade civil e academia, a Coalizão demonstra que é possível integrar competitividade agrícola, conservação ambiental, responsabilidade climática e inclusão social. Cooperação global para redução de metanoO Ministério da Agricultura e Pecuária, Embrapa Suínos e Aves e o Instituto 17 apresentaram um guia inédito com práticas, tecnologias e recomendações para orientar políticas públicas e estratégias nacionais de redução de metano. A iniciativa foi destacada como passo importante para fortalecer a cooperação técnica entre países. Capitals CoalitionCom ambição para 2035, a coligação busca incorporar o valor de todos os capitais — natural, social, humano e produzido — nas decisões financeiras e empresariais. O trabalho envolve a colaboração com contadores, reguladores e tomadores de decisão para construir confiança e credibilidade na integração dos capitais como base operacional de mercados e políticas. Coalizão Aberta de Mercados Regulados de CarbonoUma iniciativa colaborativa voltada à troca de experiências sobre precificação de carbono, sistemas de MRV (Monitoramento, Reporte e Verificação), metodologias de contabilidade e regras para uso de créditos de alta integridade. Seu objetivo é fortalecer a ambição, efetividade e equidade dos mercados regulados de carbono como instrumentos essenciais para o cumprimento das NDCs no âmbito do Acordo de Paris. A declaração já foi endossada por Brasil, China, União Europeia, Reino Unido, Canadá, Chile, Alemanha, México, Armênia, Zâmbia, França e Ruanda e permanece aberta a novas adesões. O papel do setor empresarial Mobilizar o setor empresarial em ações coletivas, projetos e capacitações de mitigação e adaptação climática é fundamental para catalisar a integração da agenda climática nas estratégias corporativas, acelerando a transição do Brasil para uma economia resiliente e net-zero, de forma transparente, justa e inclusiva.   Mensagem da Presidência da COP 30, na nona carta “Embora a janela de oportunidade esteja se estreitando, manter vivo o objetivo de 1,5 °C ainda é possível — desde que a cooperação internacional seja direcionada para catalisar círculos virtuosos de transformação acelerada. Este é o momento de transformar o risco de pontos de inflexão planetários em oportunidade para uma guinada global.” Na COP 30, a resposta coletiva à urgência climática precisa se materializar por meio da implementação acelerada, da solidariedade e da cooperação internacional. Rachel AlvesGerente executiva de consultoria, integrante da Comitiva Report na COP30 

A comunicação em sustentabilidade é essencialmente conectada aos stakeholders

É crescente o movimento em que as empresas passam a considerar os interesses de toda a sociedade, para além dos próprios. Diante do capitalismo de stakeholders, o profissional de comunicação ganha protagonismo; entenda Para desenvolver o assunto de que vamos tratar neste artigo, vamos relembrar três casos. No primeiro, o Greenpeace divulga um vídeo com críticas a uma gigante do setor alimentício por comprar óleo de palma de companhias predatórias da floresta tropical – ilustradas por imagens de um orangotango com dedos ensanguentados. Ao invés de enfrentar a situação, a marca criticada opta pela censura ao vídeo. O conteúdo, é claro, viraliza. No segundo caso, uma varejista internacional de grande porte no mundo da moda publica a imagem, em seu site, de um menino negro usando um moletom no qual se pode ler: “coolest monkey in the jungle” (ou “o macaco mais legal da floresta”). A imagem, naturalmente, gera uma onda de críticas online. Já no terceiro, o presidente de uma petrolífera afirma, durante uma visita a moradores da Costa do Golfo em meio ao pior vazamento de óleo da história dos EUA, que gostaria de retomar sua vida. A fala passa a estampar manchetes ao redor do mundo e revela um porta-voz, no mínimo, despreparado – razão pela qual é destituído do cargo. Nos três exemplos, equipes completas de profissionais qualificados – e com olhar apurado para crises – atuaram na concepção, aprovação e execução da estratégia em comunicação. A pergunta que, então, é: ninguém havia notado nada errado? A chave para a resposta está no pensamento de Sustentabilidade e na relação com o que se convencionou chamar de “capitalismo de stakeholders”, do qual falaremos melhor a seguir.   Conceito do capitalismo de stakeholders – e o papel dos profissionais de comunicação O termo “capitalismo de stakeholders” foi cunhado pelo economista Klaus Martin Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, para falar sobre o cenário em que as empresas não consideram somente seus próprios interesses, mas os de toda a sociedade. As organizações levam em conta, por exemplo, aspectos ambientais, culturais, políticos e econômicos. A Comunicação desempenha um papel crucial se pensarmos que não é suficiente informar diferentes públicos; é preciso, além disso, envolve-los, incorporando seus pontos de vista. O impacto para os comunicadores tem se refletido no aumento da complexidade de quem trabalha com Conteúdo, Estratégia, PR, Digital e outras frentes. Para uma Comunicação baseada na Sustentabilidade, dois aspectos são essenciais: a existência de um diálogo constante entre stakeholders, por meio de diferentes canais (o que deve acontecer diariamente por meio de redes sociais, de discussões com representantes da Academia, das comunidades, consumidores e especialistas). Já o segundo aspecto é a transparência, exercitada com mensagens baseadas em dados concretos, que estabeleçam uma relação de confiança com a sociedade.  

Comunicação ESG exige pensamento integrado; entenda

Cresce a importância dos relatos ESG e, em paralelo, a necessidade de que as organizações tenham clareza do impacto de suas atividades O universo corporativo tem demonstrado apetite para se transformar a partir das boas práticasde comunicação em sustentabilidade. Em parte, porque estão sendo pressionadas a falar mais (e melhor) sobre tais temas, mas também por uma cultura de transparência em ascensão. Pela ótica dos executivos, o pensamento integrado tem ganhado corpo e comprova o potencial da comunicação ESG para repaginar planos de negócio e torna-los contemporâneos. Conceituando o pensamento integrado O conceito de pensamento integrado é, segundo a Estrutura Internacional (IR), uma “consideração ativa” de uma empresa conforme as conexões “entre suas diversas unidades operacionais e funcionais”. Isso leva “à tomada de decisão integrada e ações que levam em conta a geração de valor em curto, médio e longo prazo”. Assim, o pensamento integrado pode ser encarado como um mecanismo que permite às organizações entenderem os capitais dos quais dependem, sejam eles financeiros, sociais, humanos etc. Possibilita, ainda, que as companhias tenham mais clareza do impacto de suas atividades, o que, consequentemente, leva a decisões mais assertivas e perenes. Relação entre pensamento integrado e relatórios empresariais Quem produz relatórios empresariais está em contato com uma série de novidades em termos de normas, metodologias e diretrizes. É o caso do Relato Integrado (IR), liderado globalmente pela IFRS Foundation, que gerou discussões sobre a integração como premissa – das decisões estratégicas às rotinas de interação entre empresas e sociedade. Ter um panorama do todo gera resiliência e oportunidades na comunicação sustentável. Quem tiver entendimento para navegar por este cenário, terá, certamente, muitos ganhos. De acordo com uma matéria publicada no final do ano passado na Sustainability Magazine, o avanço da terceirização do monitoramento e relatórios ESG de rotina é uma das grandes tendências para 2024. Isso porque as empresas têm entendido melhor a necessidade de ter uma equipe especializada, com conhecimento suficiente para não apenas coletar dados, mas entende-los e divulga-los adequadamente. Diante disso, nós, profissionais deste segmento, ganhamos a incumbência de converter processos de relato em consultorias de comunicação e pensamento integrados. Dessa forma, conseguimos construir parcerias transparentes, pautadas em boas relações que criam valor, seja ele monetário ou não.

CONFERÊNCIA 2024 DA IFRS DESTACA NORMAS DE RELATO

Conferência 2024 da IFRS lança foco em interoperabilidade e conectividade nas normas de relato

Por Guto Lobato. Não estamos fazendo standard-setting no vácuo. Embarcamos em um plano de trabalho para dois anos que nos fará fortalecer e construir um baseline global de divulgações financeiras sobre sustentabilidade”. Com essas palavras, Emmanuel Faber, líder do International Sustainability Standards Board (ISSB), fez uma fala inaugural que indicava a tônica geral da Conferência 2024 da IFRS Foundation, organizada em Londres nos dias 24 e 25 de junho: a de promover conectividade, conhecimento e colaboração. O encontro marcou o aniversário de um ano das Normas IFRS S1 e S2, dedicadas respectivamente ao relato de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade em geral e ao clima, além de trazer novidades sobre as Normas Contábeis IFRS, já adotadas em escala mundial para divulgações financeiras de empresas.  O evento também serviu para divulgar o Plano de Trabalho do ISSB para o biênio 2024-2026. Tanto o ISSB quanto o International Accountability Standards Board (IASB), dedicado aos padrões financeiros, apresentaram resultados de um ano de trabalho intensivo e definiram, como prioridades, difundir conhecimento e promover educação sobre as Normas S1 e S2, aprofundar alianças com outros standard-setters e monitorar como as jurisdições (os países) se movimentam para regulamentar o uso das novas normas. O Grupo Report participou presencialmente da Conferência 2024. Foram dois dias de atividades com plenárias, sessões de perguntas e respostas (Q&A) e sessões simultâneas que abordaram as Normas S1 e S2, a Norma IFRS 18, o papel do Relato Integrado no atual momento e o trabalho conjunto do ISSB e do IASB pela integração de padrões.  Em uma síntese geral, quatro grandes tópicos reúnem as novidades e informações relevantes para o mercado brasileiro. Confira-os a seguir. INCENTIVO À ADOÇÃO GLOBAL DAS NORMAS IFRS S1 E S2 O trabalho da IFRS Foundation, via ISSB, é centralmente o de ampliar conhecimento e incentivar a adoção das Normas S1 e S2 pelos reguladores do mercado de capitais dos países. Na conferência, Emmanuel Faber destacou que há hoje duas dezenas de jurisdições com normativas publicadas ou em finalização para uma adesão gradual mandatória à S1 e à S2 por empresas listadas. “Tivemos um ano de muitas realizações. Mais de 20 países e jurisdições estão em jornada para regulamentar o uso da S1 e da S2, um grupo diversificado com participação de economias do Sul Global, que representa quase 55% do PIB em todo o mundo.” Na América Latina e no mundo, o Brasil foi pioneiro com a resolução da CVM (193/2023) para empresas iniciarem o reporte voluntário na S1 e na S2 no ano-base 2024, com obrigatoriedade a partir de 2026. Em uma sessão do segundo dia, Veronika Pountcheva, membro do ISSB, destacou a posição do País. “O Brasil é um dos mercados mais corajosos e empenhados em normatizar a adesão à S1 e à S2.” O plano de trabalho da IFRS Foundation e do ISSB para o período 2024-2026 prevê a publicação de diversos documentos de orientação. O primeiro foi lançado na conferência: o Guia Jurisdicional Inaugural, que fornece orientações sobre regulação e outros usos das Normas S1 e S2 pelos países (consulte o documento aqui). A equipe do ISSB foi indagada, na sessão Q&A, sobre sua disposição em dialogar com certos mercados mais refratários à regulação de divulgação de desempenho em sustentabilidade pelas empresas. Veronika Pountcheva respondeu de forma enfática: “nós já estamos conversando. E com todos. Nosso papel não é o de obrigar, mas mostrar como uma jornada que é ideal para a estabilidade e responsabilidade do mercado de capitais em escalas local e global.” A ideia foi reiterada na fala de arine Smith, líder de Governança e Compliance do Norges Bank Investment Management (NBIM), convidada para palestrar no evento com a visão do mercado de capitais. “Os universos [do relato financeiro e do relato ESG] não fazem sentido isoladamente. O uso dos padrões contábeis IFRS e das Normas do ISSB requer conectividade, e ela viabiliza uma narrativa consistente de criação de valor”, afirmou. INTEROPERABILIDADE PARA COMBATER A SOPA DE LETRINHAS Normas GRI, SASB, IFRS S1 e S2, ESRS… Frameworks de Relato Integrado, TCFD e TNFD. Ratings, índices. A quantidade de siglas, diretrizes e padrões disponíveis para a elaboração de relatórios é imensa e confunde iniciantes, além de fazer veteranos se perderem em um mar de demandas por informação qualificada. Rickard Barckow, chair do IASB, destacou que a complexidade é uma marca dos mercados globais contemporâneos. “Mas é nosso papel dosar complexidade e necessidade, reduzindo aquela onde é possível, em função do que é preciso divulgar com transparência.” Desde o lançamento das Normas IFRS S1 e S2, na Conferência 2023, ouvimos da IFRS Foundation que promover a tal interoperabilidade é prioridade. Até agora, no entanto, os esforços eram tímidos. Na conferência, as falas de Emmanuel Faber e de Sue Lloyd, vice-líder do ISSB, foram mais enfáticas nesse quesito, com algumas conquistas e propostas listadas como prestação de contas e planos de curto prazo da entidade. Confira uma lista dos principais avanços em interoperabilidade: • O lançamento, em maio deste ano, do Guia de interoperabilidade ESRS–ISSB Standards, que lista os pontos de convergência e diferenciação nos padrões de divulgação das normas europeias e da S1 e S2; • Lançamento da taxonomia digital IFRS S1 e S2, que, assim como nos Padrões Contábeis IFRS, permitem o tratamento de bases de dados, o tagueamento e o rápido acesso à informação por analistas do mercado financeiro; • Revitalização e maior divulgação das Normas SASB, que passaram por melhorias desde o final de 2023 e trazem métricas e indicadores específicos por setor; • Reforço da importância do Framework de Relato Integrado (<IR>) como base para a produção de relatórios com foco na materialidade financeira e no processo de criação de valor, com abordagem multicapitais; • Assinatura de Memorando de Entendimento (MoU) entre IFRS Foundation e o GHG Protocol, para garantir alinhamento e informação prévia sobre quaisquer atualizações e decisões que envolvam mudanças dos padrões GHG Protocol; • Alinhamento entre os requisitos da Norma S2 os conteúdos do questionário versão 2024 do CDP – Disclosure Insight Action, principal

Pensamento Integrado: um caminho para o desenho de estratégias abertas e colaborativas

Na hora de tomar decisões importantes sobre o futuro dos seus negócios, qual o nível de abertura e colaboração que as empresas devem incorporar ao trabalho de formulação estratégica? Responder a essa pergunta pode parecer simples: depende do perfil jurídico e tamanho da organização seria uma resposta rápida a vir à mente. Essa é uma resposta tão ágil quanto perigosa e imprecisa. Nessa linha de raciocínio, companhias de capital aberto, listadas em bolsa, habitualmente não decidem seus rumos sozinhas; têm de prestar contas a grupos amplos de investidores, credores, acionistas e gente distribuída no mercado de capitais. Já as de capital fechado tendem a parecer mais “livres” para pensar seus planos, por prestarem contas a menos gente. Assim, pensar e planejar negócios com olhar de longo prazo seria – apenas seria – uma tarefa mais complexa para conglomerados e organizações for profit de grande porte, restando a outros perfis de negócios um pensar estratégico mais ensimesmado e menos dinâmico. A história, porém, mostra que não é bem assim; na verdade, a literatura sobre estratégia indica que o século XX viu surgir teorias que indicam a necessidade de negócios abrirem a caixa preta e observarem as interconexões entre atividades empresariais, impactos gerados e recursos financeiros e não financeiros essenciais para sua existência. Modelos mais pautados pelo léxico do “integrado”, “aberto”, “colaborativo”, “sistêmico”, “integral” e “holístico” viraram moda nas escolas de administração e consultorias de estratégia. Isso decorre de uma movimentação que reflete, do muro para dentro, uma realidade dada que está há décadas fora dos escritórios das empresas. Três asserções demonstram a caducidade dessa divisão entre “empresas grandes que prestam contas a muita gente” e “negócios familiares”. A primeira é que, na prática, todo mundo presta contas a um raio de influência relativamente grande, que inclui quem trabalha na empresa, os que prestam serviços e os que têm vidas afetadas por sua existência (consumidores e comunidades de entorno, por exemplo). Em segundo lugar, nenhuma empresa é uma ilha. Todo negócio, por menor ou mais caseiro que seja, precisa, cada vez mais, sentar no divã e colocar suas bases estabelecidas em xeque, para se adequar a um mundo e uma economia global marcados pela tríade pós-moderna da volatilidade, transitoriedade e complexidade. Isso exige abertura, disposição ao diálogo e uma visão mais integrativa das questões que guiam as decisões e, é claro, afetam os resultados empresariais no curto, médio e longo prazos. O terceiro ponto é, talvez, o mais importante numa abordagem comportamental aplicada às pessoas jurídicas: isolamento vai na direção contrária de performance. Empresas com cadeias ultracontroladas, atividades dissociadas de parceiros e visão estreita de engajamento/relacionamento tendem a se desconectar dos stakeholders vitais e, também, ter sua reputação definida por tal postura, além de perder o lugar na janela do ônibus sem perceber – já que suas ideias não se atualizam na mesma velocidade do mundo. Voltemos, então, à questão inicial, agora com mais detalhes. Qual o nível de abertura e colaboração necessário para processos de reflexão estratégica? E mais: quem trazer para a conversa e como priorizar, escutar e filtrar considerações dos públicos? O que é preciso fazer para incentivar uma cultura de alianças e diálogos e, assim, tomar decisões de menor perfil de risco e maior impacto positivo nas jornadas dos negócios? Dois conceitos, intimamente conectados, nos ajudam a encontrar respostas possíveis: Pensamento Integrado e Open Strategy. Vamos nos dedicar, aqui, a depurar o primeiro – e lançar premissas a ele associadas que viabilizam a construção de estratégias de negócios abertas. O que é Pensamento Integrado? Como se aplica? O pensamento integrado pode ser entendido como uma filosofia empresarial que, de um lado, traduz preocupações de profissionais de Finanças e Contabilidade sobre o modo como empresas são conduzidas – e, de outro, demonstra como estas podem ser mais estáveis, saudáveis e produtivas por meio da consideração ativa dos diversos capitais (financeiro e não financeiros – social, natural, intelectual, humano etc.) que utilizam e sobre os quais produzem impactos. No texto “Integrated Thinking: Measuring the Unobservable”, os pesquisadores Irma Malafronte e John Pereira, das universidades de Roehampton e Kingston, no Reino Unido, resgatam a trajetória de debates sobre um modelo integrado de pensamento aplicável às empresas. Citam estudos em mercados pontuais, destacam a necessidade de critérios objetivos para mensurar/avaliar o nível de integração de administradores e suas decisões. E estabelecem um método para examinar, em estudo limitado a algumas companhias abertas, como posicionar empresas de acordo com seu nível reportado – e legível externamente – de integração. A conclusão dos autores é bem objetiva: “Embora a investigação sobre pensamento integrado e relatórios esteja a emergir na literatura recente sobre relatórios, ainda é preciso compreender o pensamento integrado na prática e o seu desenvolvimento ao longo do tempo” (Malafronte; Pereira, 2020, pág.5, tradução nossa). A menção a “relatórios” não ocorre por acaso. A discussão sobre pensamento integrado ganhou força na última década por conta do movimento do Relato Integrado <IR>, iniciado pelo International Integrated Reporting Council (IIRC), continuado pela Value Reporting Foundation (VRF) e hoje sob liderança da IFRS Foundation. No framework lançado pelo IIRC em 2013, a prática da divulgação integrada de resultados, desempenhos e perspectivas dos negócios das empresas sob a ótica <IR> era associada a empresas que pensavam a si próprias de maneira conectiva e holística, produzindo resultados mais estáveis e sólidos ao longo do tempo – e que os comunicam de forma clara a provedores de capital e outros stakeholders. Conforme o texto das diretrizes, o pensamento integrado “leva em consideração a conectividade e as interdependências entre uma gama de fatores que afetam a capacidade de uma organização de gerar valor ao longo do tempo” (IIRC, 2013, p.2), incluindo os estoques de valor representados pelos capitais que o negócio acessa e transforma; a capacidade de atender aos interesses dos stakeholders; a adaptabilidade do modelo de negócios e da estratégia ao ambiente externo; e os desempenhos e impactos gerados com relação aos capitais. O conceito foi trabalhado posteriormente em outros estudos da IIRC e da VRF, chegando ao

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