Comunicação e Sustentabilidade

Ilustração de duas mulheres vistas de costas caminhando em um percurso plano, projetando sombras gigantescas à frente

GRI de volta ao Brasil: aliança estratégica com a Report capacita PMEs para relato

A Global Reporting Initiative (GRI) voltou, neste segundo semestre de 2026, a ter operações no Brasil. O principal marco disso é o lançamento do Programa de Negócios Competitivos – uma iniciativa global da entidade que capacita pequenas e médias organizações sobre relato da sustentabilidade, com foco em competitividade e acesso a negócios e recursos. Fruto da aliança estratégica do Grupo Report com a GRI, da qual somos Certified Training Partners (CTPs) e com a qual contribuímos por meio da GRI Community, seremos Parceiros Implementadores do Programa, com o aporte de nossa expertise educacional. Os PIs têm como função conduzir o ciclo de capacitações, oficinas e aulas que habilitam PMEs a elaborar seus relatórios de sustentabilidade, desde a definição de temas materiais e indicadores até apublicação. Em oito anos de atividade em outros países, o Programa de Negócios Competitivos reúne indicadores positivos: segundo a GRI, quase 70% das PMEs participantes afirmam ter tido benefícios de eficiência de gestão após realizá-lo, e 89% executaram planos de ação concretos para melhorar sua gestão ambiental e social após publicar seu primeiro relatório. A aposta no Brasil tem motivação clara: com muitas companhias sujeitas a regulações globais (ESRS, IFRS S1 e S2) que mantêm redes pulverizadas de fornecedores, as PMEs passam a ser cobradas por informação de sustentabilidade que pode ser coletada e reportada sob padrões globaisusando as Normas GRI. Engenheira ambiental com passagens pela Rede Brasil do Pacto Global, Danielly de Andrade Mello Freire é a diretora da GRI Brasil e respondeu a três breves questões sobre o ecossistema de relatos, o papel das empresas em suas cadeias de valor e os benefícios da capacitação GRI para PMEs. Confira: Como você avalia o contexto de relato da sustentabilidade no Brasil neste retorno da GRI ao país por meio de representação? “O retorno institucional da GRI ao Brasil chega em um momento de maturidade crescente do mercado: empresas, reguladores e investidores já tratam o relato de sustentabilidade como parte da gestão de negócio, não apenas como status reputacional ou de marketing. A volta de uma representação da GRI no País reforça nosso compromisso em apoiar o avanço de uma sociedade mais justa,uma economia equitativa e um planeta regenerado.” Quais desafios você vê na adesão de PMEs às práticas de relato e como o Programa de Negócios Competitivos vai auxiliá-las nesse sentido? “O maior desafio das PMEs é falta de tempo, estrutura e recursos para reportar com qualidade. O Programa de Negócios Competitivos (PNC, ou CBP, na sigla em inglês) existe para isso: oferece metodologia e suporte prático para viabilizar o relato com as Normas GRI e, dentro da nossa meta, pretende levar pelo menos 100 PMEs a reportar até dezembro de 2028.” De que maneira você acredita que os relatos podem contribuir para a competitividade de pequenas e médias empresas? “Relatar informações de impacto pode providenciar às PMEs mais credibilidade e acesso a cadeias de valor de grandes empresas (nacionais e multinacionais), além de financiamento de bancos de desenvolvimento, já que compradores e investidores exigem cada vez mais transparência dos fornecedores. Hoje isso é diferencial competitivo, não só uma mera formalidade.” O PNC será lançado em um evento presencial, na cidade de São Paulo, no dia 4 de novembro de 2026. Em um dos painéis, o Sócio-Diretor da Report Gilberto Longo fará a moderação de um debate sobre o ecossistema brasileiro de relato. Para maiores informações e solicitar inscrição, clique aqui.

Ilustração de um homem de terno e mochila subindo uma grande escadaria iluminada pela metade, simbolizando crescimento profissional

Como os dados socioambientais destravam o blended finance no agronegócio

A agenda de uso sustentável da terra entra em uma nova fase. Se a degradação dos solos e a crise climática exigem ações de restauração, conservação e manejo sustentável em larga escala, viabilizar essas práticas depende de mobilizar capital e comprovar o impacto gerado com total transparência. É nesse ponto que a Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), o financiamento sustentável e a gestão de dados socioambientais se conectam. A realização da COP 17 da UNCCD (Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação), na Mongólia, reforçou a relevância estratégica da degradação da terra para temas como resiliência climática e segurança alimentar.  O encontro também evidenciou a dimensão dos desafios de implementação, colocando em destaque a necessidade de ampliar ações de recuperação e uso sustentável da terra e de criar condições para financiá-las em escala.  Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição relevante, assumindo o compromisso de alcançar mais de 367 milhões de hectares até 2030, combinando o manejo sustentável e a prevenção, conservação e manejo sustentável da terra de 350,76 milhões de hectares com a recuperação e restauração de 16,34 milhões de hectares de terras degradadas. Uma meta dessa dimensão evidencia a escala do desafio brasileiro e a necessidade de mobilização de diferentes fontes de financiamento, entre elas estruturas de Blended Finance (Financiamento Misto), capazes de combinar recursos públicos, concessionais e privados para mitigar riscos e atrair capital em escala. Na prática, o blended finance funciona como uma alavanca para viabilizar projetos que o mercado tradicional poderia considerar de alto risco inicial. Ao utilizar recursos públicos, concessionais ou filantrópicos para absorver as primeiras perdas e reduzir as incertezas, essa estrutura torna o investimento atraente para grandes fundos privados. É exatamente essa arquitetura financeira que viabiliza o aporte de capital em larga escala para a recuperação de solos degradados, a expansão da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e projetos de conservação, o que permite aliar retorno econômico à restauração ambiental. Contudo, existe um importante gargalo na atração desse capital: a exigência por dados auditáveis e transparência de alto nível.  Grandes fundos globais, investidores institucionais e agências multilaterais não disponibilizam recursos sem a garantia rigorosa de que o impacto prometido será entregue. O financiamento sustentável moderno exige um novo padrão para o uso da terra. Isso significa que as empresas do agronegócio e do setor florestal precisam implementar e demonstrar: Rastreabilidade e origem: garantia da origem das matérias-primas, uso e ocupação da terra e  conformidade socioambiental das áreas produtivas. Indicadores de Impacto Socioambiental: Métricas consolidadas sobre o sequestro de carbono, saúde do solo, governança e aspectos socioeconômicos Métricas Integradas de Biodiversidade: Indicadores quantitativos e qualitativos que comprovem a preservação ou restauração dos ecossistemas locais. O Brasil tem em mãos a oportunidade de liderar a economia de restauração da terra. Mas transformar esse compromisso em vantagem competitiva também depende da capacidade de comprovar, reportar e prestar contas do impacto gerado no campo. Sua empresa está pronta para estruturar dados e acessar as novas oportunidades do financiamento sustentável? Entre em contato com os especialistas do Grupo Report e saiba como podemos fortalecer a jornada de reporte e captação da sua organização. [email protected]

Homem de costas de camiseta listrada, sentado em um banco vermelho no píer de madeira, observando um grande lago ao entardecer.

Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A

Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A As recentes publicações de relatórios corporativos corroboram com a evolução da transparência climática no mercado brasileiro, destacando os relatos de duas gigantes do varejo e de bens de consumo: a C&A e a Natura. Ambos os documentos apresentam um rigoroso alinhamento aos Pronunciamentos Técnicos CBPS 01 e 02, que refletem as normativas globais IFRS S1 e S2 (emitidas pelo ISSB). Vale ressaltar que a publicação desses relatórios ocorreu de forma voluntária. Embora a Resolução CVM nº 193/2023 tenha estabelecido o arcabouço para esse padrão de relato no Brasil, a obrigatoriedade para companhias listadas na CVM foi retirada. Ainda assim, ambas as empresas, assim como outras companhias brasileiras, optaram por publicar. A justificativa estratégica para essa proatividade é clara: a adoção antecipada dos padrões IFRS S1/S2 melhora a comparabilidade com pares globais e tende a atrair cobertura e capital institucional, que demanda métricas padronizadas de riscos e oportunidades ESG. Por estarem em seu primeiro ano de relato sob essas normas, tanto a Natura quanto a C&A aplicaram os alívios de transição (reliefs) permitidos pela regulação. Entre eles, usufruíram da prerrogativa de não publicar o documento de forma concomitante às Demonstrações Financeiras (DFs) e de focar exclusivamente na temática climática (IFRS S2 / CBPS 02). Apesar de estes relatórios apresentarem um escopo “menor” do que o exigido pelo S1,  norma apresenta uma complexidade grande pois está mudando radicalmente a forma de olhar para o risco climático, exigindo que a pauta deixe de ser um exercício de narrativa institucional para se converter em métricas tangíveis de impacto financeiro, atraindo capital institucional focado em resiliência.  Ao detalhar seus riscos climáticos, ambas as empresas ressaltam as ameaças relacionadas à cadeia de fornecimento e às suas operações logísticas. Esse é um ponto vital e complexo do novo padrão: a análise de riscos não pode mais se limitar aos muros das operações próprias. Englobar toda a cadeia de valor, avaliando a origem das matérias-primas e a capilaridade da distribuição, é imprescindível para um diagnóstico acurado, embora imponha enormes desafios técnicos referentes à rastreabilidade e à coleta de dados primários em áreas onde o controle direto da companhia é menor.  Assim, apesar da profundidade técnica, os dois relatórios convergem ao admitir a enorme complexidade envolvida nessas avaliações. Como bem observam os relatos recém-publicados, a vulnerabilidade física corporativa não costuma se concentrar em um evento isolado, mas sim em uma teia pulverizada de ameaças, desde intempéries bloqueando centros de distribuição até secas encarecendo insumos naturais. Essa multiplicidade dificulta o isolamento de impactos, tornando o exercício ainda mais complexo. Mesmo diante de incertezas e limitações de dados, a transparência que a C&A e a Natura trazem para seus impactos financeiros e modelagens eleva a barra do mercado nacional. A principal lição deixada por esses relatórios é que a modelagem climática deixa de ser um exercício teórico de sustentabilidade e passa a ser uma exigência de demonstração financeira e de transparência de mercado. Avaliar o clima não é mais uma nota de rodapé institucional; é parte inseparável da resiliência corporativa, da alocação de capital e da perenidade dos negócios. O grande desafio evidenciado por esse novo paradigma, e que separa os relatos maduros dos superficiais, é justamente a capacidade de construir uma ponte analítica entre as alterações do clima e o balanço patrimonial. O processo exige priorizar ameaças e traduzi-las em uma cadeia lógica clara: inicia-se no mapeamento de uma variável climática, compreende-se o nível de exposição e a vulnerabilidade do modelo de negócios diante dessa alteração, projeta-se o efeito operacional e, consequentemente, chega-se à magnitude da variável financeira afetada. Nesse contexto, a quantificação climática ganha protagonismo. Porém é preciso desmistificar a percepção de que a modelagem serve como uma “bola de cristal” para adivinhar o amanhã ou cravar um prejuízo exato no fluxo de caixa. O propósito fundamental da modelagem é estressar a capacidade de adaptação e a resiliência do negócio diante de diferentes trajetórias e cenários futuros, tornando totalmente transparentes as premissas utilizadas e as incertezas inerentes a esse cálculo. Como parceiro estratégico nesse movimento de transformação, o Grupo Report foi o responsável por assessorar a Natura na elaboração de seu recém-lançado relatório. Nossa equipe atuou desde a garantia de aderência técnica do texto à norma e ao contexto regulatório brasileiro , passando pela redação e gestão do projeto, até o design final do documento. Para auxiliar outras organizações a construírem suas estratégias climáticas de forma robusta e alinhada às exigências do CBPS, o Grupo Report oferece a Trilha IFRS S1/S2: uma jornada completa que vai desde a análise de gaps,  para entender o nível de maturidade da empresa em relação às práticas exigidas, até etapas avançadas, como a valoração de riscos climáticos e a produção do próprio relatório de conformidade.

Ilustração em flat design de uma mulher trabalhando remotamente em um tablet. Otimizada para artigos sobre tecnologia, produtividade, home office e vida urbana digital. Palavra-chave foco: mulher usando tablet home office.

Acessibilidade digital em relatórios corporativos: como a inclusão impacta a governança e a nota nos ratings ESG

No ambiente corporativo, a transparência e a prestação de contas socioambiental tornaram-se pilares centrais da governança. No entanto, um aspecto crítico da prestação de contas costuma ser negligenciado: a acessibilidade das plataformas e documentos publicados. Em setembro, mês dedicado à conscientização sobre a inclusão das pessoas com deficiência, o debate sobre o futuro do relato corporativo exige uma reflexão prática. Afinal, a sua empresa entrega informações acessíveis a todos os públicos ou impõe sem se dar conta das barreiras de navegação e leitura? Da comunicação à maturidade em governança A acessibilidade digital não deve ser tratada como um mero ajuste estético ou um “bônus” de responsabilidade social corporativa. Sob a ótica de investidores, auditores e agências de rating, a garantia de acesso equitativo à informação é um indicador direto de maturidade em Direitos Humanos, Inclusão e Governança da Informação. Relatórios anuais publicados em formatos inacessíveis, como PDFs que não suportam leitores de tela, infográficos sem descrição técnica de imagem (Alt Text), baixo contraste de cor ou navegação incompatível com teclado, excluem parcelas significativas da sociedade e geram fragilidades na transparência corporativa. O impacto direto nos ratings ESG e na regulamentação global Três fatores principais explicam por que a acessibilidade em relatórios e Centrais de Transparência se tornou um requisito de gestão: Pontuação em índices ESG (como o ISE B3): questionários e metodologias de avaliação de sustentabilidade analisam a comunicação corporativa e a gestão de diversidade e inclusão. Garantir canais de prestação de contas acessíveis demonstra a aplicação prática de políticas de Direitos Humanos e comunicação não discriminatória. Conformidade com os padrões globais (GRI, IFRS e WCAG): as diretrizes internacionais de reporte exigem que a informação seja clara, compreensível e comparável. No campo tecnológico, isso se traduz no cumprimento das diretrizes da Web Content Accessibility Guidelines (WCAG 2.2), mantidas pelo W3C, que estabelecem os critérios universais para leitura e navegação digital. Pressão Regulatória Internacional (European Accessibility Act): com o avanço de regulamentações globais, como a Diretiva Europeia de Acessibilidade, a conformidade digital passou a ser exigência legal para empresas que atuam ou distribuem serviços no mercado internacional. O não cumprimento dessas diretrizes expõe as organizações a passivos de reputação e de conformidade. A acessibilidade desde o início do projeto Para que um relatório seja efetivamente acessível, a acessibilidade precisa ser planejada desde a fase de arquitetura de informação e design. Tentar “adaptar” um documento pronto no final do processo costuma gerar custos adicionais e resultados ineficientes. O desenvolvimento de um relato acessível abrange: Design e diagramação inclusivos: estruturação de tipografia, hierarquia visual de títulos e contraste de cores adequado. Leitura de tela e automações assistivas: código e estrutura de arquivos (PDF e HTML) preparados para interpretação por softwares leitores de tela e navegação assistiva. Centrais de Transparência Universais: plataformas digitais desenvolvidas com navegação por teclado, transcrição de conteúdos multimídia e usabilidade garantida para investidores, analistas e sociedade civil. Com mais de duas décadas de liderança na elaboração e publicação de relatos corporativos no Brasil, a Report combina consultoria estratégica e expertise tecnológica. Acompanhamos nossos clientes em todo o ciclo de produção dos relatórios anuais e de sustentabilidade, garantindo rigor técnico, conformidade regulatória e soluções digitais nativamente acessíveis. À medida que entramos na temporada de kickoff e planejamento dos relatos para o próximo ano, a sua empresa tem a oportunidade de alinhar a prestação de contas aos mais altos padrões de governança e inclusão. Entre em contato com o nosso time para estruturar um processo de relato transparente, auditável e acessível a todos.

O futuro do relato corporativo: como Clima, Regulação e IFRS S1/S2 estão reescrevendo o valor das empresas

No cenário corporativo contemporâneo, a prestação de contas socioambiental deixou de ser um exercício voluntário de comunicação para se tornar a espinha dorsal da estratégia, da governança e da atração de capital. À medida que o mercado entra no ciclo decisivo para o fechamento de novos projetos de relato, quatro forças regulatórias e climáticas convergem para transformar a gestão corporativa: Financiamento da Adaptação Climática (Pós-Bonn e COP 31): O debate global não se restringe mais a cortar emissões. Investidores exigem saber a resiliência da infraestrutura e da cadeia de valor das empresas frente a eventos extremos. Neutralidade da Terra e Blended Finance (COP 17): Os compromissos com o manejo sustentável do solo e a transição do agronegócio demandam métricas rigorosas de impacto para viabilizar investimentos mistos. A Era da Regulamentação com o SBCE: A consulta pública sobre o sistema de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões antecipa a obrigatoriedade de reporte rigoroso para os setores mais intensivos em carbono. Demonstração Financeira dos Riscos Climáticos (IFRS S1 e S2 / CBPS): Cases como o da C&A demonstram na prática que a valoração dos riscos e oportunidades climáticos precisa figurar nos números da organização, alinhando a agenda ESG à diretoria financeira. O desafio da maturidade dos dados A complexidade do reporte corporativo não está na elaboração do documento final, mas na consistência da governança, na rastreabilidade dos indicadores e na capacidade de conectar a estratégia do negócio aos frameworks globais (GRI, IFRS, ISSB, TCFD). Relatar o futuro exige sair da coleta fragmentada em planilhas e evoluir para uma inteligência corporativa contínua, capaz de suportar asseguração limitada e razoável por auditores independentes. A abordagem da Report Com mais de duas décadas de liderança em sustentabilidade no Brasil, a Report desenvolveu uma plataforma completa de serviços que une a consultoria estratégica em clima e riscos (Trilha IFRS S1/S2, inventários de GEE, dupla materialidade) à capacidade de gestão e publicação de relatórios de alto valor reputacional. Por meio de soluções de inteligência e governança de dados, apoiamos sua empresa no atendimento aos requisitos regulatórios e na consolidação de sua posição perante o mercado de capitais.

Ilustração de mulher negra com vestido colorido caminhando e usando smartphone em calçada de mosaico ensolarada

Por que a validação técnica é inegociável em um software de sustentabilidade e ESG

Desde as etapas iniciais, a análise de aderência na coleta de indicadores ESG é essencial para garantir boas práticas no processo de relato Imagine descobrir, durante uma auditoria externa, que um indicador foi calculado com uma metodologia incorreta ou que uma informação divulgada não atende aos requisitos do framework adotado. Muitas vezes, esse problema não está na coleta dos dados, mas na ausência de inteligência técnica por trás da plataforma digital. Um software pode automatizar processos, mas, se não acompanhar a evolução das normas e não incorporar conhecimento especializado em sustentabilidade, continuará reproduzindo informações inconsistentes. Em um cenário de crescente exigência regulatória, uma solução digital ESG precisa fazer mais do que armazenar dados: ela deve contribuir para garantir a consistência, a rastreabilidade e a aderência metodológica dos indicadores. Entre as referências, estão as normas da Global Reporting Initiative (GRI) e do Sustainability Accounting Standards Board (SASB), as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e da Task Force on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) e o Relato Integrado (<IR>), mantidos pela IFRS Foundation. Nos últimos anos, o acervo de diretrizes à disposição das empresas foi ampliado com o lançamento das normas IFRS S1 e S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB), e das europeias ESRS, da União Europeia.  A pesquisa Reporting Matters Brasil 2025, desenvolvida pelo CEBDS em parceria com o Grupo Report, oferece um panorama real dos padrões adotados por empresas nacionais. Na amostra de 82 relatórios analisados: 97% das publicações adotam as Normas GRI (sendo 55% no modelo “em conformidade” e 42% na abordagem “com base”). 77% utilizam as Normas SASB. 45% dispõem de dados que respondem às recomendações da TCFD. Como a Central Report incorpora a validação técnica Foi justamente para enfrentar esse desafio que desenvolvemos a Central Report. Diferentemente de plataformas que atuam apenas como repositórios de informações, a Central nasceu da experiência de uma consultoria especializada  com mais de duas décadas de experiência em normas e frameworks de sustentabilidade. Isso significa que sua evolução acompanha continuamente as mudanças nas diretrizes, nas regulamentações e nas necessidades práticas dos profissionais responsáveis pelo reporte de sustentabilidade e ESG.  Nossa abordagem combina tecnologia, inteligência artificial e conhecimento técnico especializado. A Inteligência Artificial realiza análises preliminares de aderência aos standards e frameworks, identificando potenciais inconsistências e oportunidades de melhoria. Em seguida, especialistas realizam a validação técnica final (human in the loop), assegurando que os indicadores atendam aos requisitos metodológicos aplicáveis. Durante todo o processo, a Central Report mantém a rastreabilidade das informações, registra o histórico de alterações, organiza evidências e permite acompanhar cada etapa da coleta, da validação e da aprovação. Preparação para a auditoria externa e asseguração de terceira parte A gestão das evidências é especialmente relevante para relatórios verificados por terceira parte, uma prática cada vez mais presente no processo de relato. Ainda segundo a pesquisa Reporting Matters Brasil 2025, a auditoria externa (total ou parcial) contemplou 84% dos documentos analisados. Nesse processo, que normalmente ocorre nas etapas finais do projeto, a validação técnica realizada durante a coleta dos dados é crucial para evitar ajustes significativos, e a rastreabilidade das informações inseridas auxilia na checagem dos auditores.  A essa abordagem híbrida, que confere precisão e consistência ao longo de todo o processo, soma-se a preocupação com a autonomia dos usuários. O ambiente virtual da Central Report foi desenhado para conferir agilidade e praticidade às etapas de coleta, gestão e comunicação de dados de sustentabilidade. Isso tem início desde a configuração dos indicadores no sistema: com a metodologia da linguagem simples e campos de resposta que espelham todos os requisitos previstos pelas diretrizes, os respondentes visualizam apenas os itens que devem ser preenchidos. Além disso, guias, tutoriais e canais de suporte contínuo estão disponíveis em um Help Center integrado à plataforma. Até o momento, mais de 500 empresas realizaram seus processos de gestão de indicadores na Central Report, e muitas já utilizam o sistema como um software ESG no modelo SaaS para monitoramento contínuo, incorporando a gestão de dados de sustentabilidade à tomada de decisão. Fale com a nossa equipe de Negócios e entenda como a Central Report pode apoiar a maturidade sustentável da sua organização. 

Uma mulher de suéter azul trabalhando em seu laptop à noite no home office, com luz quente da luminária e estante ao fundo.

Como escolher uma plataforma ESG: o perigo dos softwares que não validam dados

O grande volume de dados coletados exige um software de sustentabilidade e ESG que garanta precisão, consistência e aderência às normas globais Quem garante que os dados coletados estão corretos? À medida que surgem novas normas e regulamentações, um erro no processo de coleta pode comprometer as auditorias e a credibilidade das informações divulgadas. Por isso, escolher uma solução digital de dados de sustentabilidade e ESG deixou de ser apenas uma decisão tecnológica; é, fundamentalmente, uma decisão sobre governança e qualidade dos dados. O grande volume de indicadores que as organizações precisam gerenciar exige um software de sustentabilidade corporativa que garanta precisão, consistência e aderência aos frameworks globais. Com a crescente oferta de soluções no mercado, como encontrar a melhor solução digital capaz de apoiar a sua organização com segurança técnica? O que avaliar antes de escolher uma solução digital ESG Antes de contratar um software de sustentabilidade e ESG, vale verificar se ele oferece: Fluxos de validação das informações; Gestão estruturada de evidências; Rastreabilidade completa das alterações (Audit Trail); Atualização contínua dos frameworks; Controle de permissões e aprovações; Automação dos cálculos; Reaproveitamento de dados entre diferentes frameworks; Dashboards para gestão contínua dos indicadores. Elementos indispensáveis em um software de sustentabilidade A precisão e a rastreabilidade dos dados são elementos essenciais em qualquer solução digital de sustentabilidade e ESG. Um software pode automatizar a coleta das informações, mas isso não significa, necessariamente, que os dados estejam metodologicamente corretos. Sem validação técnica, a coleta e a divulgação dos dados implicam riscos operacionais e reputacionais. Sob o olhar atento dos stakeholders, erros na comunicação de indicadores ESG podem prejudicar a imagem da organização, os relacionamentos que mantém na cadeia de valor e o monitoramento das práticas internas. Para documentos submetidos a auditorias, esses riscos se agravam: a inconsistência das informações reportadas inviabiliza a conclusão do processo, levando a uma “corrida contra o tempo” para localizar a fonte dos dados, corrigir os registros e analisar a aderência. Precisão, tecnologia e rastreabilidade na Central Report Com esses desafios em mente, unimos nossas equipes de Consultoria e Tecnologia para desenvolver uma solução que assegurasse consistência e precisão ao longo de todo o processo. Esse movimento levou à criação da Central Report, nosso sistema de coleta, gestão e comunicação de dados de sustentabilidade. Com mais de 500 empresas atendidas, a Central Report passa por atualizações contínuas, incorporando demandas de usuários — ao todo, são mais de 8,2 mil cadastros ativos — para lançar novas funcionalidades. A Central Report retrata a nossa abordagem híbrida para a inovação no processo de relato e na gestão de indicadores: aliar o tratamento automatizado de dados à auditoria técnica e supervisão humana de especialistas em sustentabilidade. Com apoio da inteligência artificial (IA), nossa solução digital conta com dupla checagem: a verificação preliminar da IA e a validação dos especialistas, responsáveis pela checagem final do atendimento de cada requisito das normas e frameworks.  Monitoramento contínuo e eficiência operacional Para além do apoio no processo de relato e na divulgação, a Central Report oferece às organizações um caminho para a evolução na gestão de dados de sustentabilidade: o monitoramento contínuo. Disponível também como SaaS (software como serviço), nossa solução digital contribui para fortalecer o planejamento estratégico e a eficiência operacional ao permitir que tomadores de decisão tenham acesso estruturado a dados, análises, gráficos e dashboards, com precisão, consistência e rastreabilidade. Quer evitar falhas de compliance e otimizar a sua gestão? Conheça as ferramentas disponíveis da Central Report e agende uma demonstração.

Empresas discutem na COP30 transição e adaptação em parceria com comunidades de entorno

Lidar com as mudanças climáticas tanto nos eixos de adaptação, com investimentos em segurança e resiliência, quanto na busca de redução de impacto, descarbonização e inovação social foi um tema constante na COP30 em Belém (PA). Com foco em debater exemplos concretos e caminhos dessa agenda, o diretor-executivo de Estratégia e Clima do Grupo Report, Victor Netto, participou como moderador do painel “Territórios resilientes: justiça climática, comunidades e novos modelos de desenvolvimento”. Organizado na Casa EY, o encontro teve participação representantes do Instituto Votorantim e de empresas como CBA, Citrosuco e Reservas Votorantim. Formação de mão de obra local, entendimento de fragilidades territoriais a eventos extremos ligados à mudança do clima, fomento ao ecoturismo e regeneração, diversificação de fontes de renda. Esses são alguns dos assuntos citados como convergentes na hora de avaliar o que empresas devem fazer junto das comunidades em que estão inseridas, com ganhos mútuos que vãodas cadeias de suprimentos às relações institucionais. “O que está em debate aqui é a integração empresa-território, com uma visão de valor compartilhado que dialogue com o modelo de negócio e adapte os conceitos de resiliência, transição, adaptação à realidade dos negócios e,principalmente, de cada comunidade”, ponderou Netto. O olhar para a cadeia de produtores e fornecedores foi um dos pontos de maior debate, integrando gestão de risco e criação de soluções alinhadas às metas de descarbonização e impacto positivo das empresas. A Citrosuco trouxe comoexemplo seu recém-anunciado programa de apoio a fornecedores não apenas na lida com as mudanças climáticas, mas também na geração de pomares regenerativos. Junto das linhas de crédito especiais, a companhia de citricultura assumiu custos de certificação com seus parceiros e, em parceria com o Itaú BBA, facilita o acesso a crédito e recursos. “Além de ser um caminho de adaptação, o projeto permite a obtenção de recursos com créditos de carbono que são aplicados em projetos regenerativos com a nossa assessoria técnica”, afirmouJullie Lucon, Especialista de Negócios de Carbono da Citrosuco. Mapeando riscos e caminhos de desenvolvimento Entre as iniciativas citadas de adaptação e busca de resiliência diante de eventos extremos, como chuvas intensas, inundações e secas, a CBA, do setor de metalurgia e mineração, relatou ter desenvolvido um índice de vulnerabilidade para os territórios em que a empresa mantém operações. A ideia é entender como cada comunidade está exposta de modo particular àsmudanças do clima e, com isso, definir prioridades e meios de mitigação de riscos que ao fim do dia afetam diretamente os negócios. “Precisamos entender as unidades mais expostas aos riscos climáticos e atuar com os municípios onde estamos presentes, inclusive porque nossosfuncionários e parceiros também estão nesses territórios”, comentou Ligia Carvalho, coordenadora de sustentabilidade da CBA. “Validamos esse entendimento com o conselho da companhia, para nos adaptarmos a eventos extremos com uma priorização coerente de investimentos.” Tatiana Motta, coordenadora de Projetos e Carbono da Reservas Votorantim, ressaltou que o relacionamento com os municípios também deve contribuir com o fortalecimento das vocações de cada região. Deu como exemplo o Legado das Águas, reserva privada de Mata Atlântica mantida pela Reservas Votorantim com 31 mil hectares, entre os municípios de Juquiá, Miracatu e Tapiraí, no Vale do Ribeira, em São Paulo. “Vimos isso na prática: o município precisa se preparar e tornar visíveis seus diferenciais. Então nossa contribuição vai além do aporte de recursos e envolve uma interface forte com municípios e moradores da região para atrair novos empreendimentos e atividades”, diz Tatiana. “Cada município está em um momento, em uma fase. Nosso papel é buscar observar como o clima afeta cada localidade e discutir e apoiar as soluções mais adequadas, sem impor modelos”, reforçou Rodolfo Mota, coordenador doPrograma de Apoio à Gestão Pública do Instituto Votorantim. Guto Lobato, gerente-executivo de educação corporativa, membro da comitiva Report na COP30

Finanças sustentáveis e a transição climática no Brasil: lições de um fórum estratégico

Em um dos eventos paralelos que ocorreram na COP 30 na Casa do Seguro, iniciativa da CNseg, ANBIMA e Febraban, o Fórum de Finanças Sustentáveis reuniu representantes do governo, setor financeiro, seguradoras e organismos multilaterais para debater estratégias para o financiamento da transição climática e o fortalecimento do papel do setor financeiro na construção de uma economia de baixo carbono.   Logo na abertura, a discussão sobre seguro rural foi usada como exemplo de como os efeitos da mudança do clima já pressionam o agronegócio e o planejamento de safra. Foi mencionado que está em desenvolvimento um desenho de seguro rural, com foco em cobrir melhor os riscos climáticos aos quais o setor do agronegócio está exposto e que tendem a se intensificar, reconhecendo o seguro como instrumento central de adaptação, e não apenas de proteção financeira tradicional. Além disso, representantes do governo apresentaram um conjunto de instrumentos recentes em finanças sustentáveis, como as emissões de títulos soberanos verdes, a Taxonomia Sustentável Brasileira, o Eco Invest e a criação da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, demonstrando que o Brasil tem avançado de forma significativa na construção de uma infraestrutura financeira mais robusta para acompanhar a transição, tanto do lado regulatório quanto do lado da mobilização de capital privado. Outro tema do debate foi a formação de uma coalizão aberta de mercado de carbono entre Brasil, China e União Europeia, que foi mencionado como relevante por fortalecer o diálogo multilateral diante do cenário geopolítico atual. E, além do fortalecimento do multilateralismo, o mercado de carbono brasileiro demonstra a capacidade e oportunidade do Brasil em dialogar com outros países em pé de igualdade, considerando sistemas de monitoramento, relato e verificação, contabilidade de carbono em nível de produto e mecanismos de ajustes de fronteira, como o CBAM. Nas discussões sobre o Plano de Transformação Ecológica e como o setor financeiro tem contribuído, o foco foi reconhecer os avanços recentes, mas deixando claro que tem diversas lacunas que precisam ser fechadas para os projetos seguirem bem, sobretudo encontrando soluções em conjunto. Nesse sentido, destacaram que existem projetos de interesse nacional, mas que ainda não avançaram pela necessidade de avançar em seguros e contratos de off-take, assim como capital catalítico para atrair os investidores e financiadores e atender a lógica de risco-retorno desses públicos. Com isso, o “espírito de mutirão” citado pelo Dan Ioschpe ao longo da COP 30 se encaixa perfeitamente, tendo em vista a necessidade de considerar cada elo da cadeia de valor para o sucesso da agenda, incluindo financiamento, seguro, cadeia produtiva e infraestrutura, de uma forma estruturada e organizada para ser eficiente e destravar a implementação. Ao abordar os motivos que ainda limitam a atração de capital, lembrou-se que o desenvolvimento socioeconômico brasileiro historicamente não incorporou plenamente a sustentabilidade, apesar do país ter um bônus competitivo em recursos naturais e potencial de descarbonização. Diante disso, foi levantado que o Brasil ainda precisa transformar seu potencial em carteira estruturada de projetos, com governança, modelagem financeira adequada e mecanismos de mitigação de risco. Assim, a COP 30 é vista como um grande chamado para implementação, considerando a lógica de que, se houver bons projetos e capacidade de entrega, os recursos tendem a aparecer. Já nas discussões sobre florestas e bioeconomia, o foco naturalmente voltou-se para a Amazônia, reforçando a ideia de que os instrumentos financeiros devem reconhecer o valor da floresta em pé, tanto como infraestrutura verde quanto ativo para resiliência e adaptação climática. Com isso, o TFFF foi mencionado como um dos grandes anúncios da COP30 justamente por romper com a lógica tradicional de doação e se estruturar como um mecanismo de investimento. Em relação às áreas públicas, o representante do Serviço Florestal Brasileiro destacou que existem programas de manejo florestal nas terras públicas federais que podem ser importantes para fornecer a madeira que o mercado demanda, sendo uma das soluções para gerar renda de forma legal, gerando empregos e reduzindo a pressão sobre áreas irregulares. Contudo, permanece a lacuna de seguros específicos para projetos de restauração em larga escala, o que limita a expansão de algumas iniciativas. Já na esfera privada, a bioeconomia é vista como o caminho para gerar renda a partir da floresta, especialmente por meio de cadeias de óleos, frutos e sementes amazônicas. No entanto, a dúvida que parece permanecer entre os investidores é em relação à existência de garantias adequadas para proteger esses projetos de eventos climáticos ou outras perturbações externas. Sem instrumentos apropriados de seguro e financiamento, o risco continua maior para quem tenta atuar de forma sustentável. Ao longo das discussões, foram mencionadas iniciativas que buscam ampliar o acesso a garantias para comunidades que vivem na floresta. Apesar dos avanços, o tema não foi central no debate, evidenciando que ainda há um caminho para amadurecer essa agenda e assegurar que os recursos cheguem justamente a quem mantém a floresta em pé. Tainara Sobrero consultora de sustentabilidade e estratégia, integrante da comitiva Report na COP30

Colaboração e coalizões para um futuro sustentável

Diante dos desafios globais que enfrentamos da crise climática às desigualdades sociais e considerando que a COP 30 vendo sendo reconhecida como a COP da implementação, torna-se cada vez mais evidente que nenhuma organização, governo ou indivíduo conseguirá avançar sozinho. O mundo exige colaboração, capacidade de escuta e a construção de coalizões fortes, capazes de alinhar visões, recursos e competências diversas em torno de um propósito comum. Construir um futuro melhor depende de reconhecermos que as soluções não estão em uma única mesa, mas na soma de múltiplas perspectivas. É na interseção entre setores, países, governos, culturas, saberes e experiências que surgem as respostas mais inovadoras e eficazes. Por isso, cada parceria é mais que uma união de esforços: é um convite para pensar diferente, criar junto e agir com mais impacto. Coalizões não são apenas alianças formais, são espaços de responsabilidade compartilhada. São ambientes de alinhamento antes da ação, onde divergências viram aprendizado e onde o compromisso coletivo permite avançar muito além do que qualquer iniciativa isolada. Abaixo estão listadas coalizões e colaborações que já apareceram na primeira semana de COP 30. Colaboração espacial para combate ao desmatamentoEspecialistas de agências espaciais internacionais participaram de uma mesa-redonda na Casa da Ciência, em Belém, discutindo a criação de uma coalizão espacial para monitoramento e combate ao desmatamento. Representantes de Austrália, Reino Unido e Gabão reforçaram a importância da cooperação científica internacional diante da velocidade das mudanças climáticas. Como disse Aboubakar Mambimba, diretor-geral da Agência Gabonesa para Estudos e Observações Espaciais: “Precisamos unir pessoas capacitadas para manter de pé nossas florestas, independentemente do país.” Coalizão Brasil Clima, Florestas e AgriculturaA coalizão lançou a publicação “Propostas para uma Transição Climática Global para o Setor do Uso da Terra”, apresentando dez medidas estruturadas nos três pilares da Agenda de Ação da COP 30. Reunindo mais de 400 representantes do agronegócio, setor financeiro, sociedade civil e academia, a Coalizão demonstra que é possível integrar competitividade agrícola, conservação ambiental, responsabilidade climática e inclusão social. Cooperação global para redução de metanoO Ministério da Agricultura e Pecuária, Embrapa Suínos e Aves e o Instituto 17 apresentaram um guia inédito com práticas, tecnologias e recomendações para orientar políticas públicas e estratégias nacionais de redução de metano. A iniciativa foi destacada como passo importante para fortalecer a cooperação técnica entre países. Capitals CoalitionCom ambição para 2035, a coligação busca incorporar o valor de todos os capitais — natural, social, humano e produzido — nas decisões financeiras e empresariais. O trabalho envolve a colaboração com contadores, reguladores e tomadores de decisão para construir confiança e credibilidade na integração dos capitais como base operacional de mercados e políticas. Coalizão Aberta de Mercados Regulados de CarbonoUma iniciativa colaborativa voltada à troca de experiências sobre precificação de carbono, sistemas de MRV (Monitoramento, Reporte e Verificação), metodologias de contabilidade e regras para uso de créditos de alta integridade. Seu objetivo é fortalecer a ambição, efetividade e equidade dos mercados regulados de carbono como instrumentos essenciais para o cumprimento das NDCs no âmbito do Acordo de Paris. A declaração já foi endossada por Brasil, China, União Europeia, Reino Unido, Canadá, Chile, Alemanha, México, Armênia, Zâmbia, França e Ruanda e permanece aberta a novas adesões. O papel do setor empresarial Mobilizar o setor empresarial em ações coletivas, projetos e capacitações de mitigação e adaptação climática é fundamental para catalisar a integração da agenda climática nas estratégias corporativas, acelerando a transição do Brasil para uma economia resiliente e net-zero, de forma transparente, justa e inclusiva.   Mensagem da Presidência da COP 30, na nona carta “Embora a janela de oportunidade esteja se estreitando, manter vivo o objetivo de 1,5 °C ainda é possível — desde que a cooperação internacional seja direcionada para catalisar círculos virtuosos de transformação acelerada. Este é o momento de transformar o risco de pontos de inflexão planetários em oportunidade para uma guinada global.” Na COP 30, a resposta coletiva à urgência climática precisa se materializar por meio da implementação acelerada, da solidariedade e da cooperação internacional. Rachel AlvesGerente executiva de consultoria, integrante da Comitiva Report na COP30 

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