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COP 31 e expectativas pós-Bonn: o impasse do financiamento para a adaptação

Ilustração de bandeiras de vários países hasteadas em frente a um prédio corporativo moderno em dia ensolarado.

COP 31 e expectativas pós-Bonn: o impasse do financiamento para a adaptação

Preparar-se para os impactos das mudanças climáticas exige que as empresas reconheçam suas vulnerabilidades e planejem como proteger suas operações, seus ativos e suas cadeias de valor. Para isso, além de estratégias de adaptação, são necessários recursos financeiros que viabilizem as mudanças. No entanto, enquanto os riscos climáticos se intensificam, o financiamento global para adaptação permanece insuficiente. Esse descompasso está no centro das negociações climáticas internacionais e levanta uma questão importante para o setor corporativo: como transformar a adaptação climática em uma prioridade efetiva de investimento e gestão de riscos?

O caminho para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 31) coloca em evidência um dos dilemas mais urgentes da pauta climática mundial: o financiamento para a adaptação. As negociações técnicas realizadas em Bonn, na Alemanha, em junho de 2026, que preparam o terreno político para a conferência, terminaram sem consenso em questões importantes, reforçando as dificuldades de transformar compromissos climáticos em ações concretas.

A dimensão do desafio é expressiva. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os custos e as necessidades de adaptação dos países em desenvolvimento podem alcançar entre US$ 310 bilhões e US$ 365 bilhões por ano até 2035, em valores de 2023. Em 2023, o fluxo de financiamento público internacional destinado a essa finalidade foi de US$ 26 bilhões, valor muito inferior às necessidades estimadas. Além da escassez de recursos, a dependência de empréstimos pode ampliar o endividamento de países vulneráveis, reforçando a importância de ampliar o acesso a doações e financiamentos em condições favoráveis.

O encontro em Bonn expôs esse impasse. De um lado, os países em desenvolvimento defendem a ampliação do financiamento público, incluindo recursos a fundo perdido e empréstimos concessionais, sustentando que as economias desenvolvidas são historicamente as maiores responsáveis pelas emissões acumuladas. De outro, parte dos países desenvolvidos defende maior participação do setor privado e de outras fontes de financiamento. Embora a COP 30 tenha lançado um chamado para, ao menos, triplicar o financiamento para adaptação até 2035, persistem divergências sobre a implementação desse compromisso e sobre os indicadores do Objetivo Global de Adaptação.

Diante desse cenário, a COP 31, concebida pela Turquia como a “COP do Futuro”, busca avançar na implementação dos compromissos climáticos, conectando ambições políticas a resultados concretos e mensuráveis. Sob a presidência da Turquia e com a Austrália liderando as negociações, a conferência terá entre seus desafios impulsionar o Climate Implementation Bridge (iniciativa que busca conectar compromissos climáticos a projetos estruturados e capazes de atrair investimentos) e avançar nas discussões sobre aspectos metodológicos e operacionais dos indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA), cujo conjunto foi adotado na COP 30. Mais do que anunciar compromissos financeiros globais, será fundamental garantir que os recursos sejam acessíveis e se traduzam em ações concretas para proteger cidades, sistemas de água, agricultura e cadeias produtivas.

As dificuldades nas negociações internacionais têm reflexos diretos na gestão de riscos e na estabilidade das empresas. Na ausência de infraestrutura pública adaptada a eventos climáticos extremos, os custos da inação recaem sobre o setor privado. Isso se traduz concretamente em paradas de produção por escassez de insumos, gargalos logísticos, reajustes severos nas apólices de seguro e perda de valor de ativos operacionais.

Para as lideranças corporativas, antecipar-se ao ritmo das negociações multilaterais tornou-se cada vez mais importante. A pauta da COP 31 reforça a necessidade de as organizações estruturarem sua própria resiliência, mapeando vulnerabilidades físicas na cadeia de valor, avaliando oportunidades de financiamento e consolidando métricas de adaptação. Nesse contexto, a Report apoia as empresas na identificação e avaliação de riscos e oportunidades climáticas, contribuindo para definir prioridades e integrar esses fatores à estratégia de negócio e à gestão da sustentabilidade. Combinando conhecimento técnico e visão estratégica, a consultoria ajuda as organizações a se prepararem para os impactos das mudanças climáticas e a fortalecerem sua resiliência no longo prazo.

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