A Global Reporting Initiative (GRI) voltou, neste segundo semestre de 2026, a ter operações no Brasil. O principal marco disso é o lançamento do Programa de Negócios Competitivos – uma iniciativa global da entidade que capacita pequenas e médias organizações sobre relato da sustentabilidade, com foco em competitividade e acesso a negócios e recursos.
Fruto da aliança estratégica do Grupo Report com a GRI, da qual somos Certified Training Partners (CTPs) e com a qual contribuímos por meio da GRI Community, seremos Parceiros Implementadores do Programa, com o aporte de nossa expertise educacional. Os PIs têm como função conduzir o ciclo de capacitações, oficinas e aulas que habilitam PMEs a elaborar seus relatórios de sustentabilidade, desde a definição de temas materiais e indicadores até a
publicação.
Em oito anos de atividade em outros países, o Programa de Negócios Competitivos reúne indicadores positivos: segundo a GRI, quase 70% das PMEs participantes afirmam ter tido benefícios de eficiência de gestão após realizá-lo, e 89% executaram planos de ação concretos para melhorar sua gestão ambiental e social após publicar seu primeiro relatório. A aposta no Brasil tem motivação clara: com muitas companhias sujeitas a regulações globais (ESRS, IFRS S1 e S2) que mantêm redes pulverizadas de fornecedores, as PMEs passam a ser cobradas por informação de sustentabilidade que pode ser coletada e reportada sob padrões globais
usando as Normas GRI.
Engenheira ambiental com passagens pela Rede Brasil do Pacto Global, Danielly de Andrade Mello Freire é a diretora da GRI Brasil e respondeu a três breves questões sobre o ecossistema de relatos, o papel das empresas em suas cadeias de valor e os benefícios da capacitação GRI para PMEs. Confira:
Como você avalia o contexto de relato da sustentabilidade no Brasil neste retorno da GRI ao país por meio de representação?
“O retorno institucional da GRI ao Brasil chega em um momento de maturidade crescente do mercado: empresas, reguladores e investidores já tratam o relato de sustentabilidade como parte da gestão de negócio, não apenas como status reputacional ou de marketing. A volta de uma representação da GRI no País reforça nosso compromisso em apoiar o avanço de uma sociedade mais justa,uma economia equitativa e um planeta regenerado.”
Quais desafios você vê na adesão de PMEs às práticas de relato e como o Programa de Negócios Competitivos vai auxiliá-las nesse sentido?
“O maior desafio das PMEs é falta de tempo, estrutura e recursos para reportar com qualidade. O Programa de Negócios Competitivos (PNC, ou CBP, na sigla em inglês) existe para isso: oferece metodologia e suporte prático para viabilizar o relato com as Normas GRI e, dentro da nossa meta, pretende levar pelo menos 100 PMEs a reportar até dezembro de 2028.”
De que maneira você acredita que os relatos podem contribuir para a competitividade de pequenas e médias empresas?
“Relatar informações de impacto pode providenciar às PMEs mais credibilidade e acesso a cadeias de valor de grandes empresas (nacionais e multinacionais), além de financiamento de bancos de desenvolvimento, já que compradores e investidores exigem cada vez mais transparência dos fornecedores. Hoje isso é diferencial competitivo, não só uma mera formalidade.”
O PNC será lançado em um evento presencial, na cidade de São Paulo, no dia 4 de novembro de 2026. Em um dos painéis, o Sócio-Diretor da Report Gilberto Longo fará a moderação de um debate sobre o ecossistema brasileiro de relato. Para maiores informações e solicitar inscrição, clique aqui.