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Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A

Homem de costas de camiseta listrada, sentado em um banco vermelho no píer de madeira, observando um grande lago ao entardecer.

Riscos climáticos impactam seu resultado financeiro? A lição dos novos relatos voluntários de Natura e C&A

As recentes publicações de relatórios corporativos corroboram com a evolução da transparência climática no mercado brasileiro, destacando os relatos de duas gigantes do varejo e de bens de consumo: a C&A e a Natura. Ambos os documentos apresentam um rigoroso alinhamento aos Pronunciamentos Técnicos CBPS 01 e 02, que refletem as normativas globais IFRS S1 e S2 (emitidas pelo ISSB).

Vale ressaltar que a publicação desses relatórios ocorreu de forma voluntária. Embora a Resolução CVM nº 193/2023 tenha estabelecido o arcabouço para esse padrão de relato no Brasil, a obrigatoriedade para companhias listadas na CVM foi retirada. Ainda assim, ambas as empresas, assim como outras companhias brasileiras, optaram por publicar. A justificativa estratégica para essa proatividade é clara: a adoção antecipada dos padrões IFRS S1/S2 melhora a comparabilidade com pares globais e tende a atrair cobertura e capital institucional, que demanda métricas padronizadas de riscos e oportunidades ESG.

Por estarem em seu primeiro ano de relato sob essas normas, tanto a Natura quanto a C&A aplicaram os alívios de transição (reliefs) permitidos pela regulação. Entre eles, usufruíram da prerrogativa de não publicar o documento de forma concomitante às Demonstrações Financeiras (DFs) e de focar exclusivamente na temática climática (IFRS S2 / CBPS 02). Apesar de estes relatórios apresentarem um escopo “menor” do que o exigido pelo S1,  norma apresenta uma complexidade grande pois está mudando radicalmente a forma de olhar para o risco climático, exigindo que a pauta deixe de ser um exercício de narrativa institucional para se converter em métricas tangíveis de impacto financeiro, atraindo capital institucional focado em resiliência. 

Ao detalhar seus riscos climáticos, ambas as empresas ressaltam as ameaças relacionadas à cadeia de fornecimento e às suas operações logísticas. Esse é um ponto vital e complexo do novo padrão: a análise de riscos não pode mais se limitar aos muros das operações próprias. Englobar toda a cadeia de valor, avaliando a origem das matérias-primas e a capilaridade da distribuição, é imprescindível para um diagnóstico acurado, embora imponha enormes desafios técnicos referentes à rastreabilidade e à coleta de dados primários em áreas onde o controle direto da companhia é menor. 

Assim, apesar da profundidade técnica, os dois relatórios convergem ao admitir a enorme complexidade envolvida nessas avaliações. Como bem observam os relatos recém-publicados, a vulnerabilidade física corporativa não costuma se concentrar em um evento isolado, mas sim em uma teia pulverizada de ameaças, desde intempéries bloqueando centros de distribuição até secas encarecendo insumos naturais. Essa multiplicidade dificulta o isolamento de impactos, tornando o exercício ainda mais complexo. Mesmo diante de incertezas e limitações de dados, a transparência que a C&A e a Natura trazem para seus impactos financeiros e modelagens eleva a barra do mercado nacional.

A principal lição deixada por esses relatórios é que a modelagem climática deixa de ser um exercício teórico de sustentabilidade e passa a ser uma exigência de demonstração financeira e de transparência de mercado. Avaliar o clima não é mais uma nota de rodapé institucional; é parte inseparável da resiliência corporativa, da alocação de capital e da perenidade dos negócios.

O grande desafio evidenciado por esse novo paradigma, e que separa os relatos maduros dos superficiais, é justamente a capacidade de construir uma ponte analítica entre as alterações do clima e o balanço patrimonial. O processo exige priorizar ameaças e traduzi-las em uma cadeia lógica clara: inicia-se no mapeamento de uma variável climática, compreende-se o nível de exposição e a vulnerabilidade do modelo de negócios diante dessa alteração, projeta-se o efeito operacional e, consequentemente, chega-se à magnitude da variável financeira afetada.

Nesse contexto, a quantificação climática ganha protagonismo. Porém é preciso desmistificar a percepção de que a modelagem serve como uma “bola de cristal” para adivinhar o amanhã ou cravar um prejuízo exato no fluxo de caixa. O propósito fundamental da modelagem é estressar a capacidade de adaptação e a resiliência do negócio diante de diferentes trajetórias e cenários futuros, tornando totalmente transparentes as premissas utilizadas e as incertezas inerentes a esse cálculo.

Como parceiro estratégico nesse movimento de transformação, o Grupo Report foi o responsável por assessorar a Natura na elaboração de seu recém-lançado relatório. Nossa equipe atuou desde a garantia de aderência técnica do texto à norma e ao contexto regulatório brasileiro , passando pela redação e gestão do projeto, até o design final do documento. Para auxiliar outras organizações a construírem suas estratégias climáticas de forma robusta e alinhada às exigências do CBPS, o Grupo Report oferece a Trilha IFRS S1/S2: uma jornada completa que vai desde a análise de gaps,  para entender o nível de maturidade da empresa em relação às práticas exigidas, até etapas avançadas, como a valoração de riscos climáticos e a produção do próprio relatório de conformidade.

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