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Ilustração de mulher negra com vestido colorido caminhando e usando smartphone em calçada de mosaico ensolarada

Por que a validação técnica é inegociável em um software de sustentabilidade e ESG

Desde as etapas iniciais, a análise de aderência na coleta de indicadores ESG é essencial para garantir boas práticas no processo de relato Imagine descobrir, durante uma auditoria externa, que um indicador foi calculado com uma metodologia incorreta ou que uma informação divulgada não atende aos requisitos do framework adotado. Muitas vezes, esse problema não está na coleta dos dados, mas na ausência de inteligência técnica por trás da plataforma digital. Um software pode automatizar processos, mas, se não acompanhar a evolução das normas e não incorporar conhecimento especializado em sustentabilidade, continuará reproduzindo informações inconsistentes. Em um cenário de crescente exigência regulatória, uma solução digital ESG precisa fazer mais do que armazenar dados: ela deve contribuir para garantir a consistência, a rastreabilidade e a aderência metodológica dos indicadores. Entre as referências, estão as normas da Global Reporting Initiative (GRI) e do Sustainability Accounting Standards Board (SASB), as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e da Task Force on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) e o Relato Integrado (<IR>), mantidos pela IFRS Foundation. Nos últimos anos, o acervo de diretrizes à disposição das empresas foi ampliado com o lançamento das normas IFRS S1 e S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB), e das europeias ESRS, da União Europeia.  A pesquisa Reporting Matters Brasil 2025, desenvolvida pelo CEBDS em parceria com o Grupo Report, oferece um panorama real dos padrões adotados por empresas nacionais. Na amostra de 82 relatórios analisados: 97% das publicações adotam as Normas GRI (sendo 55% no modelo “em conformidade” e 42% na abordagem “com base”). 77% utilizam as Normas SASB. 45% dispõem de dados que respondem às recomendações da TCFD. Como a Central Report incorpora a validação técnica Foi justamente para enfrentar esse desafio que desenvolvemos a Central Report. Diferentemente de plataformas que atuam apenas como repositórios de informações, a Central nasceu da experiência de uma consultoria especializada  com mais de duas décadas de experiência em normas e frameworks de sustentabilidade. Isso significa que sua evolução acompanha continuamente as mudanças nas diretrizes, nas regulamentações e nas necessidades práticas dos profissionais responsáveis pelo reporte de sustentabilidade e ESG.  Nossa abordagem combina tecnologia, inteligência artificial e conhecimento técnico especializado. A Inteligência Artificial realiza análises preliminares de aderência aos standards e frameworks, identificando potenciais inconsistências e oportunidades de melhoria. Em seguida, especialistas realizam a validação técnica final (human in the loop), assegurando que os indicadores atendam aos requisitos metodológicos aplicáveis. Durante todo o processo, a Central Report mantém a rastreabilidade das informações, registra o histórico de alterações, organiza evidências e permite acompanhar cada etapa da coleta, da validação e da aprovação. Preparação para a auditoria externa e asseguração de terceira parte A gestão das evidências é especialmente relevante para relatórios verificados por terceira parte, uma prática cada vez mais presente no processo de relato. Ainda segundo a pesquisa Reporting Matters Brasil 2025, a auditoria externa (total ou parcial) contemplou 84% dos documentos analisados. Nesse processo, que normalmente ocorre nas etapas finais do projeto, a validação técnica realizada durante a coleta dos dados é crucial para evitar ajustes significativos, e a rastreabilidade das informações inseridas auxilia na checagem dos auditores.  A essa abordagem híbrida, que confere precisão e consistência ao longo de todo o processo, soma-se a preocupação com a autonomia dos usuários. O ambiente virtual da Central Report foi desenhado para conferir agilidade e praticidade às etapas de coleta, gestão e comunicação de dados de sustentabilidade. Isso tem início desde a configuração dos indicadores no sistema: com a metodologia da linguagem simples e campos de resposta que espelham todos os requisitos previstos pelas diretrizes, os respondentes visualizam apenas os itens que devem ser preenchidos. Além disso, guias, tutoriais e canais de suporte contínuo estão disponíveis em um Help Center integrado à plataforma. Até o momento, mais de 500 empresas realizaram seus processos de gestão de indicadores na Central Report, e muitas já utilizam o sistema como um software ESG no modelo SaaS para monitoramento contínuo, incorporando a gestão de dados de sustentabilidade à tomada de decisão. Fale com a nossa equipe de Negócios e entenda como a Central Report pode apoiar a maturidade sustentável da sua organização. 

Uma mulher de suéter azul trabalhando em seu laptop à noite no home office, com luz quente da luminária e estante ao fundo.

Como escolher uma plataforma ESG: o perigo dos softwares que não validam dados

O grande volume de dados coletados exige um software de sustentabilidade e ESG que garanta precisão, consistência e aderência às normas globais Quem garante que os dados coletados estão corretos? À medida que surgem novas normas e regulamentações, um erro no processo de coleta pode comprometer as auditorias e a credibilidade das informações divulgadas. Por isso, escolher uma solução digital de dados de sustentabilidade e ESG deixou de ser apenas uma decisão tecnológica; é, fundamentalmente, uma decisão sobre governança e qualidade dos dados. O grande volume de indicadores que as organizações precisam gerenciar exige um software de sustentabilidade corporativa que garanta precisão, consistência e aderência aos frameworks globais. Com a crescente oferta de soluções no mercado, como encontrar a melhor solução digital capaz de apoiar a sua organização com segurança técnica? O que avaliar antes de escolher uma solução digital ESG Antes de contratar um software de sustentabilidade e ESG, vale verificar se ele oferece: Fluxos de validação das informações; Gestão estruturada de evidências; Rastreabilidade completa das alterações (Audit Trail); Atualização contínua dos frameworks; Controle de permissões e aprovações; Automação dos cálculos; Reaproveitamento de dados entre diferentes frameworks; Dashboards para gestão contínua dos indicadores. Elementos indispensáveis em um software de sustentabilidade A precisão e a rastreabilidade dos dados são elementos essenciais em qualquer solução digital de sustentabilidade e ESG. Um software pode automatizar a coleta das informações, mas isso não significa, necessariamente, que os dados estejam metodologicamente corretos. Sem validação técnica, a coleta e a divulgação dos dados implicam riscos operacionais e reputacionais. Sob o olhar atento dos stakeholders, erros na comunicação de indicadores ESG podem prejudicar a imagem da organização, os relacionamentos que mantém na cadeia de valor e o monitoramento das práticas internas. Para documentos submetidos a auditorias, esses riscos se agravam: a inconsistência das informações reportadas inviabiliza a conclusão do processo, levando a uma “corrida contra o tempo” para localizar a fonte dos dados, corrigir os registros e analisar a aderência. Precisão, tecnologia e rastreabilidade na Central Report Com esses desafios em mente, unimos nossas equipes de Consultoria e Tecnologia para desenvolver uma solução que assegurasse consistência e precisão ao longo de todo o processo. Esse movimento levou à criação da Central Report, nosso sistema de coleta, gestão e comunicação de dados de sustentabilidade. Com mais de 500 empresas atendidas, a Central Report passa por atualizações contínuas, incorporando demandas de usuários — ao todo, são mais de 8,2 mil cadastros ativos — para lançar novas funcionalidades. A Central Report retrata a nossa abordagem híbrida para a inovação no processo de relato e na gestão de indicadores: aliar o tratamento automatizado de dados à auditoria técnica e supervisão humana de especialistas em sustentabilidade. Com apoio da inteligência artificial (IA), nossa solução digital conta com dupla checagem: a verificação preliminar da IA e a validação dos especialistas, responsáveis pela checagem final do atendimento de cada requisito das normas e frameworks.  Monitoramento contínuo e eficiência operacional Para além do apoio no processo de relato e na divulgação, a Central Report oferece às organizações um caminho para a evolução na gestão de dados de sustentabilidade: o monitoramento contínuo. Disponível também como SaaS (software como serviço), nossa solução digital contribui para fortalecer o planejamento estratégico e a eficiência operacional ao permitir que tomadores de decisão tenham acesso estruturado a dados, análises, gráficos e dashboards, com precisão, consistência e rastreabilidade. Quer evitar falhas de compliance e otimizar a sua gestão? Conheça as ferramentas disponíveis da Central Report e agende uma demonstração.

Ilustração vetorial de quatro profissionais de negócios conversando em um escritório claro com janelas grandes.

Automação sem erro: como IA + especialistas ESG garantem indicadores precisos

A Central Report une inteligência artificial e checagem de especialistas em ESG para mitigar riscos, otimizar a gestão de dados e elevar a maturidade da estratégia de sustentabilidade corporativa Ferramentas movidas a inteligência artificial (IA) ganham espaço no mercado, remodelando as operações de empresas em diferentes segmentos. No campo da sustentabilidade corporativa, a IA tem sido uma grande aliada nas análises e no monitoramento de indicadores de sustentabilidade e ESG, permitindo que grandes volumes de informações sejam sistematizados, na automatização de tarefas repetitivas e acelerando análises.   e interpretados para apoiar a tomada de decisão, seja da própria organização ou de seus investidores.  Na Report, estruturamos iniciativas para avançar em ritmo constante no uso responsável de IA. Com um grupo de trabalho dedicado ao tema, lançamos ferramentas na Central Report que reforçam a validação técnica de indicadores de sustentabilidade, garantindo precisão ao aliar análises automatizadas à supervisão de consultores especialistas. Humano no loop: mitigando riscos na gestão de indicadores ESG Uma das principais entregas dessa jornada de inovação é a pré-análise de respostas via IA. A Central Report permite que os respondentes verifiquem a aderência das respostas às normas e aos frameworks adotados antes de prosseguir com o envio das informações. Nos testes, essa ferramenta atingiu mais de 80% de precisão. Como adotamos a abordagem human in the loop, todos os processos envolvendo IA são supervisionados pelos nossos especialistas, a fim de mitigar o risco de imprecisão nos dados reportados. “Sabemos que a IA acelera enormemente os processos, mas também que comete erros. A gerência e a supervisão humana são imprescindíveis. Por isso, trabalhamos sempre com consultores humanos no loop.”, Estevam Pereira, sócio do Grupo Report Tecnologia SaaS e dashboards dinâmicos para tomada de decisão Os clientes que optam pelo monitoramento contínuo (SaaS) na Central Report, que dispõe dos módulos de coleta, gestão e comunicação, também contam com assistentes de IA para suporte e orientação e para a criação de fórmulas. Os benefícios desse modelo, no entanto, não se limitam às ferramentas de apoio: além de entregar o gerenciamento autônomo de bancos de dados, que garante eficiência na tomada de decisão, o sistema possibilita a geração de gráficos, dashboards e soluções de comunicação para a análise e a divulgação estruturadas de indicadores de sustentabilidade. Precisão e autonomia Reforçamos nossos processos de validação técnica por meio dessas duas fases : a etapa prévia automatizada e a checagem dos consultores de sustentabilidade da Report. De olho na experiência dos usuários, buscamos ampliar as funcionalidades para garantir, também, a autonomia nos processos de análise, gestão e comunicação de dados. Nossa solução digital reúne funcionalidades voltadas à rastreabilidade das informações e à consolidação e interoperabilidade de indicadores. Todos com acesso à Central Report podem consultar o Help Center, que dispõe de canais de contato, guias e tutoriais. Ferramentas de acessibilidade e tradução automática complementam essa abordagem para assegurar que os usuários possam utilizar a plataforma com facilidade. Para manter a Central Report em evolução contínua, nossos times de Tecnologia e Consultoria trabalham em conjunto no desenvolvimento de novas funcionalidades, orientados por um roadmap que contempla feedbacks e sugestões de usuários.  Quer conhecer essa abordagem? A Central Report combina Inteligência Artificial, tecnologia e conhecimento especializado para apoiar organizações na coleta, gestão e comunicação de indicadores de sustentabilidade ESG com mais eficiência, rastreabilidade e segurança. Agende uma demonstração e descubra como a IA pode acelerar seus processos sem comprometer a qualidade das informações.

Normas IFRS S1 e S2: a CVM recuou (por enquanto). E agora?

Empresas iniciantes, que iniciaram sua jornada agora ou que investiram na conformidade aos padrões devem avaliar o custo de voltar atrás; agenda IFRS tende a evoluir à revelia da agenda regulatória Por Guto Lobato, gerente executivo de educação na Report Quem acompanha o histórico das práticas de relato no Brasil reconhece dois movimentos nem sempre convergentes. De um lado, uma cultura de transparência voluntária, a partir dos anos 2000, com normas como as da Global Reporting Initiative (GRI). De outro lado, um movimento mais recente, que busca impor obrigações de divulgação financeira sobre sustentabilidade. Iniciativas como o Relato Integrado (<IR>) e o TCFD incentivaram esse caminho na década passada e, em 2023, a IFRS Foundation lançou as Normas IFRS S1 e S2 – que rapidamente passaram a ser adotadas em dezenas de países. O Brasil despontou como pioneiro nessa direção quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou sua Resolução 193/2023, que estabelecia prazos para companhias abertas publicarem relatórios baseados nas Normas IFRS S1 e S2. Entretanto, no apagar das luzes de maio, a CVM publicou a Resolução 244, que removeu o caráter mandatório desse processo. Na prática, quem se comprometeu no período de adesão voluntária deve seguir publicando por alguns anos; quem não começou não precisaria, por ora, se aventurar. Bastaria aplicar um “Pratique ou Explique” e justificar, em comunicado ao mercado, a decisão de não relatar. Esse modelo, contudo, é, na prática, um fracasso. Podia até fazer sentido uma década e meia atrás, mas hoje perdeu sua razão de ser. A reviravolta da CVM tomou muitos auditores, entidades da área contábil, consultorias e empresas de surpresa. A reação foi imediata: entidades como Conselho Federal de Contabilidade, IBFC e ANEFAC enviaram carta conjunta expressando preocupação à CVM. Organizações de mercado, como a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), afirmaram ver o recuo com preocupação; organizações da sociedade civil anunciaram que irão entrar com processo para revisar a nova resolução; e, questionada por veículos de mídia, a CVM se defendeu quanto à decisão, enquanto seu novo presidente diz estar aberto a discutir o tema outra vez no Colegiado do órgão. O próprio governo federal pressiona por uma reavaliação da medida. Mais recentemente, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) propôs um modelo de “convergência gradual assistida”, adiando por dois anos as obrigatoriedades, sem eliminar as exigências (que passariam a valer em 2028). A ideia do Conselho é “equilibrar o tempo necessário para adaptação das empresas com a necessidade de preservar a comparabilidade das informações e a credibilidade do mercado de capitais brasileiro.”. Mesmo sob escrutínio público, a revogação da obrigatoriedade deixa muitas companhias tentadas a tomar decisões de forma imediata. Seguir, voluntariamente, uma trilha de aprofundamento no disclosure climático e de sustentabilidade com viés financeiro ou apostar que o mercado não abraçará esta causa naturalmente? Não é uma escolha simples. E há ao menos três aspectos a considerar para tomar decisões de forma ponderada: a relevância e usabilidade da informação; as regulações que seguem ativas; e o desperdício de recursos que significa voltar atrás. Três pontos a considerar na hora de investir na jornada IFRS 1 – O primeiro ponto a ser ponderado na hora de decidir trilhar ou não uma jornada IFRS é a pertinência da informação desses relatos para quem toma decisões sobre seu negócio. O movimento de práticas reguladas de relato tem público-alvo claro: o mercado financeiro. Se nos relatos tradicionais a perspectiva tende a ser multistakeholder, nas divulgações de risco e oportunidade o foco é a necessidade do provedor de capital: investidor, acionista, fundos, instituições financeiras, credores. Coloque-se no lugar de quem decide em que empresa vale mais a pena alocar dinheiro. Riscos climáticos, hoje, podem ser omitidos ou divulgados superficialmente por uma companhia listada, como se não pudessem afetar as Demonstrações Financeiras? Na subscrição ou na concessão de crédito, seguradoras e bancos podem, hoje, ignorar questões ESG em um grande projeto de infraestrutura? Parece difícil haver espaço para recuos. 2- O segundo ponto a considerar: muitas regulações seguem ativas pelo mundo e, direta ou indiretamente, já afetam as relações comerciais e de controle acionário da maioria das empresas. No próprio Brasil, inclusive, há outras regras: se a da CVM está por ora suspensa, o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional mantêm a Resolução CMN nº 5.185, que define compromisso para todas as empresas sob sua regulação reportarem com base nas Normas IFRS S1 e S2. O universo potencial total estimado pode envolver mais de 1,4 mil instituições autorizadas pelo Banco Central, com diferentes horizontes de tempo. Além dos países com regulações IFRS, há a Diretiva CSRD da União Europeia, cujas Normas ESRS exigem o reporte de questões de sustentabilidade na cadeia de valor. Ou seja: para quem negocia com companhias no exterior ou tem investidores de outras jurisdições, a pressão por informação financeira de sustentabilidade se mantém. Setores como mineração, petróleo e gás, siderurgia e agropecuário não têm escapatória: são provedores de matérias-primas e insumos críticos e, por força da relação comercial, serão cobrados a divulgar dados. 3- O terceiro ponto se liga ao investimento de tempo e recursos até aqui. Aderir ou não aos padrões IFRS não é para muitos uma escolha, e sim um processo já em andamento – cabe avaliar se o investimento até aqui será ou não aproveitado. A implantação de uma linguagem contábil de sustentabilidade é o grande desafio da jornada rumo à S1 e à S2; empresas de diferentes setores vêm ajustando processos internos, pondo em diálogo áreas de Sustentabilidade, Riscos e Finanças, repensando suas divulgações e instituindo novos comitês e processos de governança. A atitude pioneira da CVM, embora por enquanto neutralizada pela Resolução 244/2026, já induziu mudanças no mercado. Consultorias, auditorias e profissionais se prepararam, áreas inteiras foram estruturadas para o atendimento aos padrões. Profissionais de contabilidade e ESG têm se sentado juntos à mesma mesa de reunião. Cabe parar esse amadurecimento por conta da suspensão de uma das regulações? Independentemente das idas e voltas que sempre ocorreram na agenda de

O armário que a sustentabilidade esqueceu

Estudo mostra que roupas guardadas por anos podem ser pouco usadas e que medir apenas a durabilidade das peças não basta para reduzir o impacto ambiental da moda Há um ponto cego recorrente nas discussões sobre moda sustentável. Fala-se muito sobre fibras recicladas, rastreabilidade, logística reversa, design circular e destino dos resíduos. Fala-se menos sobre o que acontece depois que a roupa entra no armário e, sobretudo, sobre quantas vezes ela de fato é usada. Um estudo recente conduzido por pesquisadores da KU Leuven e da Universidade de Utrecht ajuda a iluminar essa zona pouco examinada da sustentabilidade têxtil. A pesquisa analisou guarda-roupas de adultos na Flandres, região norte da Bélgica, por meio de visitas presenciais às casas dos participantes. Em vez de trabalhar apenas com declarações genéricas de consumo, os pesquisadores fizeram auditorias dos armários e coletaram informações sobre diferentes tipos de peças, ocasiões de uso, tempo de permanência, frequência de uso e lavagens. O resultado é um retrato incômodo para qualquer leitura simplista sobre consumo consciente. Em média, os guarda-roupas analisados continham 199 peças. Desse total, 27% não haviam sido usadas nos 12 meses anteriores. Apenas 5% eram peças de segunda mão. As mulheres tinham, em média, guarda-roupas maiores que os homens, 235 peças contra 158, mas a proporção de roupas paradas era semelhante entre os gêneros. A ilusão da gaveta cheia O dado mais relevante, porém, não está apenas no tamanho dos armários. Está na diferença entre possuir, guardar e usar. Segundo o estudo, uma peça é mantida, em média, por cinco anos. À primeira vista, esse número poderia sugerir uma relação relativamente duradoura entre consumidores e roupas. Mas a duração em anos esconde uma realidade mais complexa: a intensidade de uso varia enormemente conforme o tipo de peça e a ocasião para a qual ela foi comprada. Uma camiseta informal, por exemplo, é mantida por cerca de quatro anos, usada 33 vezes e lavada 18 vezes ao longo de sua vida útil. Já uma camiseta destinada a ocasiões formais permanece no guarda-roupa por cinco anos, mas é usada apenas nove vezes e lavada seis. Um casaco informal pode ser guardado por cinco anos e usado 136 vezes, embora quase nunca seja lavado. A distinção é decisiva. Uma roupa que dura muito tempo no armário não necessariamente presta muito serviço. Ela pode apenas ocupar espaço. Para avaliar o impacto ambiental de uma peça, portanto, não basta perguntar por quanto tempo ela existe. É preciso perguntar quantas vezes ela substituiu a necessidade de outra peça, quantas ocasiões de uso entregou e com que intensidade demandou lavagem, energia, água e produtos químicos. O limite das soluções verdes Esse ponto é especialmente importante porque parte significativa da agenda de sustentabilidade da moda ainda se apoia em soluções centradas no produto: melhorar materiais, aumentar durabilidade, facilitar reciclagem, ampliar a coleta de resíduos. Todas são frentes relevantes. Mas o estudo lembra que seus benefícios ambientais dependem de uma condição frequentemente ignorada: a redução dos volumes de produção e consumo. Uma roupa mais durável, se pouco usada, pode não resolver o problema. Uma peça de segunda mão, se comprada por impulso e abandonada no armário, também não. A circularidade, nesse caso, corre o risco de funcionar como uma camada de verniz sobre o mesmo padrão de excesso. A pesquisa mostra que a ocasião de uso é um fator central. Roupas formais são, em geral, muito menos utilizadas ao longo da vida útil. Vestidos formais aparecem entre os itens de menor intensidade de uso. Blazers e peças de alfaiataria também tendem a passar por poucos ciclos de uso e lavagem. Isso não significa que sejam irrelevantes. Significa que cumprem uma função social específica, muitas vezes associada a eventos raros, códigos profissionais ou expectativas de apresentação pessoal. É justamente aí que o debate ganha densidade. Se determinadas roupas são necessárias, mas usadas poucas vezes, talvez a solução não seja apenas fabricar versões “mais sustentáveis” dessas peças. Em alguns casos, pode fazer mais sentido discutir modelos de compartilhamento, aluguel, guarda-roupas coletivos, revenda qualificada ou serviços que reduzam a necessidade de propriedade individual. Mas o próprio estudo recomenda cautela. A reutilização só gera benefício ambiental se, de fato, aumentar o número de usos por peça e evitar novas compras. Se o mercado de segunda mão se tornar apenas mais uma via de consumo, sem reduzir o volume total de roupas adquiridas, seu potencial climático e ambiental diminui. Os diferentes ritmos do consumo Outro achado relevante é a existência de grandes diferenças entre grupos. Homens e pessoas mais velhas, em média, usaram suas roupas com maior intensidade. No agregado por participante, a mediana geral foi de 35 usos por peça. Entre homens, chegou a 45; entre mulheres, ficou em 25. No grupo acima de 55 anos, a mediana foi de 48 usos, acima dos grupos mais jovens. Essas diferenças não devem ser lidas de forma moralista. Elas apontam para comportamentos, pressões sociais e contextos de consumo distintos. A moda não é apenas cobertura corporal. É identidade, pertencimento, trabalho, gênero, desejo, status e convenção. Uma política eficaz para reduzir impactos precisa lidar com essa complexidade, em vez de partir da ideia ingênua de que bastaria informar melhor o consumidor. O estudo também chama atenção para a lavagem. Em média, os participantes relataram lavar as roupas após três usos. Peças usadas junto ao corpo, como camisetas e blusas, são lavadas com maior frequência. Casacos, por outro lado, podem ser usados dezenas de vezes antes de uma lavagem, quando são lavados. Como a fase de uso pode envolver consumo de água, energia e químicos, os ciclos de lavagem são parte importante da avaliação ambiental. Ainda assim, eles não servem como métrica universal: um casaco pouco lavado pode ser muito usado, enquanto uma peça formal pouco lavada pode ter sido simplesmente pouco vestida. A principal contribuição do estudo está em recusar uma única métrica. Tempo de posse, número de usos e ciclos de lavagem contam histórias diferentes. Só quando analisados em conjunto ajudam a entender o papel real de uma roupa

Rio Nature & Climate Week 2026 reforça o protagonismodo Sul Global na agenda climática

Evento reforçou a necessidade de acelerar soluções climáticas, ampliar mecanismos de financiamento e integrar biodiversidade, desenvolvimento social e transição econômica. A emergência climática, a perda de biodiversidade e a necessidade de acelerar a implementação de soluções estiveram no centro das discussões da Rio Nature & Climate Week (RNCW) 2026. Realizada entre os dias 1º e 6 de junho, no Rio de Janeiro, a iniciativa reuniu mais de 6 mil participantes de diferentes setores para debater caminhos capazes de transformar compromissos em ações concretas. Na abertura da conferência principal, o climatologista e pesquisador brasileiro Carlos Nobre conduziu a palestra “Emergência climática: desafios a serem enfrentados”, destacando os riscos associados ao limite de 1,5°C de aquecimento global. O especialista também alertou para os impactos da perda de biodiversidade nos biomas brasileiros e reforçou a importância de avançar em agendas como desmatamento zero, restauração florestal e fortalecimento da sociobioeconomia em territórios indígenas e comunidades locais. Ao longo da semana, representantes do setor público, empresas, academia, investidores e organizações da sociedade civil discutiram temas como justiça climática, transição energética justa, sustentabilidade empresarial, bioeconomia, adaptação climática e o papel estratégico do Sul Global na construção de uma economia de baixo carbono. Financiamento climático ganha protagonismo nos debates Paralelamente à programação principal, a RNCW contou com uma série de eventos-âncora dedicados a temas prioritários para a agenda climática e de biodiversidade. Entre eles, o III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza reuniu lideranças nacionais e internacionais para discutir caminhos capazes de ampliar a implementação de soluções em diferentes territórios. A equipe da Report acompanhou os debates, que abordaram desde a relação entre cidades e florestas até mecanismos financeiros voltados à adaptação climática e à proteção da biodiversidade. Entre os principais temas discutidos esteve a necessidade de ampliar instrumentos financeiros capazes de apoiar municípios vulneráveis, fortalecer projetos locais e reduzir riscos para investidores. Também ganharam destaque as discussões sobre monitoramento de dados climáticos, métricas de impacto e mecanismos de blended finance para atrair capital destinado a projetos nos países do Sul Global. “Durante as mesas-redondas, ficou evidente a disposição das instituições em avançar na implementação de soluções climáticas adaptadas às diferentes realidades do Brasil e do mundo. O consenso é que existe liquidez para financiar a transição. O desafio agora é transformar essa ambição em projetos bancáveis e conectados às vulnerabilidades e necessidades locais”, Leonardo Diniz, consultor de Sustentabilidade do Grupo Report, que esteve no evento.  O futuro da RNCW Em uma semana marcada pela pluralidade de vozes e perspectivas, a Rio Nature & Climate Week reforçou uma mensagem recorrente em diferentes agendas: enfrentar os desafios climáticos exige integrar soluções para clima, biodiversidade e desenvolvimento social. Os debates também evidenciaram o protagonismo do Sul Global na construção dessas respostas, valorizando o papel de comunidades indígenas, conhecimentos tradicionais e mecanismos de financiamento capazes de acelerar a implementação. Ao consolidar seu calendário até 2030 e ampliar sua presença em fóruns internacionais, a RNCW fortalece a posição do Rio de Janeiro e do Brasil como espaços estratégicos para o avanço da agenda climática global. 

O fim da sustentabilidade polida e a transparência sistêmica

A comunicação de sustentabilidade atravessa um ponto de inflexão. Durante anos, o padrão ouro do setor foi pautado por uma estética limpa, discursos suaves e a promessa de que pequenas escolhas individuais resolveriam crises sistêmicas. No entanto, esse modelo de “marketing educado” esgotou sua capacidade de gerar confiança. Conforme analisa Will Thacker em artigo recente para o The Drum, vivemos a década da confiança quebrada. Em um cenário onde governos, mídia e corporações são vistos com crescente ceticismo — mais de 60% do público acredita que líderes mentem intencionalmente —, a publicidade de sustentabilidade que tenta tranquilizar o consumidor soa, muitas vezes, como greenwashing. O gap entre o discurso e a realidade ambiental Enquanto a crise climática avança e sistemas industriais operam em escalas massivas de extração, muitas marcas ainda utilizam uma linguagem que remete ao conforto e à simplicidade. Termos como “escolhas conscientes” ou “fazendo a nossa parte” já não correspondem à gravidade dos fatos nem à percepção pública. O público, especialmente as gerações mais jovens, desenvolveu um radar apurado para inconsistências. Eles não buscam a perfeição publicitária; buscam a honestidade. Para esse perfil de consumidor, uma marca que admite suas falhas e expõe a complexidade de sua cadeia produtiva é muito mais crível do que aquela que apresenta soluções fáceis para problemas estruturais. Revelar em vez de suavizar: o papel da criatividade A nova fronteira da comunicação ESG não visa acalmar o público, mas sim revelar o sistema. Campanhas recentes, como as da The Woolmark Company, exemplificam essa mudança. Em vez de apenas listar dados sobre fibras sintéticas, a comunicação utilizou imagens viscerais, como pessoas mergulhadas em petróleo bruto, para tangibilizar o impacto de 350 milhões de barris de óleo usados anualmente na indústria têxtil. Essa abordagem crua transforma o invisível em concreto. Ela retira a sustentabilidade do campo das ideias abstratas e a posiciona no campo da realidade física, do resíduo e da extração. Do consumidor passivo ao participante ativo Para as empresas, essa mudança de tom exige coragem institucional. A sustentabilidade real envolve trade-offs (escolhas difíceis), dilemas energéticos e cadeias de suprimentos complexas que não se resolvem da noite para o dia. No Grupo Report, observamos que essa tendência de “honestidade imperfeita” converge com o rigor exigido por novas regulamentações globais, como as normas IFRS S1 e S2 e os padrões GRI. Ambos os frameworks demandam que as organizações reportem não apenas seus sucessos, mas seus riscos, impactos negativos e o progresso real — com dados brutos e menos adjetivos. Transparência como ativo estratégico O objetivo final de abandonar a sustentabilidade “polida” é elevar o nível do debate. Quando as marcas param de tratar o consumidor como alguém que precisa ser poupado da verdade, elas o convidam a ser um participante do processo de mudança. Ao puxar a cortina e mostrar as mecânicas reais de produção, as empresas deixam de entregar um produto “verde” e passam a entregar uma narrativa de responsabilidade. No fim, a transparência sobre o trabalho que ainda precisa ser feito é o que realmente reconstrói a confiança no longo prazo.

O protagonismo da pauta do fogo na COP30 e suas implicações para o setor empresarial

Um dos debates mais relevantes da COP30 em Belém ocorreu fora dos plenários centrais, em um evento dedicado ao tema “O fogo e seus impactos na conservação da biodiversidade no Brasil”. Realizado na Casa Ipê, em parceria entre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Havaianas e a Fundação Sol de Janeiro, o encontro reuniu especialistas e líderes indígenas para discutir um tema que, apesar de crítico para a mudança do clima, só agora ganha o destaque merecido em uma Conferência das Partes. A característica informal do evento, que contou com a presença significativa de brigadistas indígenas entre os painelistas, garantiu uma discussão rica e centrada na realidade de quem está na linha de frente do combate ao fogo. A política de Manejo Integrado do Fogo (MIF) A primeira área de foco do debate foi a política de Manejo Integrado do Fogo (MIF). Esta abordagem reconhece que o fogo é um elemento natural e essencial para a manutenção de muitos ecossistemas brasileiros. O MIF não defende a proibição total do fogo, mas sim a redução de incêndios descontrolados, respeitando o uso consciente e culturalmente necessário que povos e comunidades tradicionais e indígenas fazem desse elemento para suas atividades de subsistência e modos de vida. O entendimento do MIF é crucial para uma política de conservação que seja, ao mesmo tempo, ecológica e socialmente justa. O foco na prevenção e brigadas comunitárias O segundo ponto chave abordado foi a importância do trabalho de prevenção e combate realizado pelos brigadistas, em particular os de comunidades indígenas e tradicionais. Foi ressaltada a necessidade de dois pilares para o sucesso na gestão do fogo: Monitoramento tecnológico: O acompanhamento contínuo de focos de queimada por meio de satélites. Capacitação local: O investimento na capacitação das comunidades que vivem próximas às áreas de risco, garantindo uma resposta rápida e eficaz no combate inicial. Leonardo Gomes (SOS Pantanal) e Tainan Kumaruara (brigadista indígena) enfatizaram que é necessário um investimento prévio em capacitação e equipamentos, em vez de esperar o início do desastre para, então, planejar as ações O exemplo de sucesso no Pantanal A eficácia da prevenção foi ilustrada pelo case das queimadas no Pantanal. Após os grandes incêndios de 2020, a SOS Pantanal mudou sua abordagem. Nos anos seguintes, em vez de depender apenas de ações emergenciais, a organização investiu na capacitação de brigadistas ao longo da estação chuvosa. Em 2024, apesar das previsões de seca indicarem um cenário de queimadas tão graves quanto as de 2020, a região registrou 30% menos áreas queimadas. Este resultado tangível comprova que a prevenção e o investimento em equipes locais e preparadas são o caminho mais estratégico e econômico. O fogo como risco de ESG para empresas brasileiras Para o setor empresarial, o debate sobre a Política de Manejo Integrado do Fogo e o controle de queimadas é uma questão de gestão de riscos ambientais (E) e compliance: Dever de proteção: Empresas dos setores de agropecuária, infraestrutura, construção civil e fabril são legalmente responsáveis pela proteção das Reservas Legais (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APPs) sob seu domínio. Danos causados pelo fogo, mesmo que não intencionais, podem resultar em penalidades ambientais. Inventário de GEE: O carbono liberado pelas queimadas em áreas sob responsabilidade corporativa deve ser obrigatoriamente incluído no inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) da empresa. Transparência e divulgação: A divulgação transparente de dados sobre a proteção de áreas nativas é essencial para relatórios de sustentabilidade e para atender às expectativas de stakeholders. Portanto, a adoção de práticas e instrumentos de controle de queimadas – seja por meio do engajamento em programas de MIF ou pelo investimento direto na capacitação de suas próprias equipes e comunidades vizinhas – não é apenas uma prática de sustentabilidade, mas uma estratégia crucial de mitigação de riscos operacionais, legais e reputacionais. Bruna Duffec, consultora de Sustentabilidade e Clima, membro da comitiva Report na COP30.

Empresas discutem na COP30 transição e adaptação em parceria com comunidades de entorno

Lidar com as mudanças climáticas tanto nos eixos de adaptação, com investimentos em segurança e resiliência, quanto na busca de redução de impacto, descarbonização e inovação social foi um tema constante na COP30 em Belém (PA). Com foco em debater exemplos concretos e caminhos dessa agenda, o diretor-executivo de Estratégia e Clima do Grupo Report, Victor Netto, participou como moderador do painel “Territórios resilientes: justiça climática, comunidades e novos modelos de desenvolvimento”. Organizado na Casa EY, o encontro teve participação representantes do Instituto Votorantim e de empresas como CBA, Citrosuco e Reservas Votorantim. Formação de mão de obra local, entendimento de fragilidades territoriais a eventos extremos ligados à mudança do clima, fomento ao ecoturismo e regeneração, diversificação de fontes de renda. Esses são alguns dos assuntos citados como convergentes na hora de avaliar o que empresas devem fazer junto das comunidades em que estão inseridas, com ganhos mútuos que vãodas cadeias de suprimentos às relações institucionais. “O que está em debate aqui é a integração empresa-território, com uma visão de valor compartilhado que dialogue com o modelo de negócio e adapte os conceitos de resiliência, transição, adaptação à realidade dos negócios e,principalmente, de cada comunidade”, ponderou Netto. O olhar para a cadeia de produtores e fornecedores foi um dos pontos de maior debate, integrando gestão de risco e criação de soluções alinhadas às metas de descarbonização e impacto positivo das empresas. A Citrosuco trouxe comoexemplo seu recém-anunciado programa de apoio a fornecedores não apenas na lida com as mudanças climáticas, mas também na geração de pomares regenerativos. Junto das linhas de crédito especiais, a companhia de citricultura assumiu custos de certificação com seus parceiros e, em parceria com o Itaú BBA, facilita o acesso a crédito e recursos. “Além de ser um caminho de adaptação, o projeto permite a obtenção de recursos com créditos de carbono que são aplicados em projetos regenerativos com a nossa assessoria técnica”, afirmouJullie Lucon, Especialista de Negócios de Carbono da Citrosuco. Mapeando riscos e caminhos de desenvolvimento Entre as iniciativas citadas de adaptação e busca de resiliência diante de eventos extremos, como chuvas intensas, inundações e secas, a CBA, do setor de metalurgia e mineração, relatou ter desenvolvido um índice de vulnerabilidade para os territórios em que a empresa mantém operações. A ideia é entender como cada comunidade está exposta de modo particular àsmudanças do clima e, com isso, definir prioridades e meios de mitigação de riscos que ao fim do dia afetam diretamente os negócios. “Precisamos entender as unidades mais expostas aos riscos climáticos e atuar com os municípios onde estamos presentes, inclusive porque nossosfuncionários e parceiros também estão nesses territórios”, comentou Ligia Carvalho, coordenadora de sustentabilidade da CBA. “Validamos esse entendimento com o conselho da companhia, para nos adaptarmos a eventos extremos com uma priorização coerente de investimentos.” Tatiana Motta, coordenadora de Projetos e Carbono da Reservas Votorantim, ressaltou que o relacionamento com os municípios também deve contribuir com o fortalecimento das vocações de cada região. Deu como exemplo o Legado das Águas, reserva privada de Mata Atlântica mantida pela Reservas Votorantim com 31 mil hectares, entre os municípios de Juquiá, Miracatu e Tapiraí, no Vale do Ribeira, em São Paulo. “Vimos isso na prática: o município precisa se preparar e tornar visíveis seus diferenciais. Então nossa contribuição vai além do aporte de recursos e envolve uma interface forte com municípios e moradores da região para atrair novos empreendimentos e atividades”, diz Tatiana. “Cada município está em um momento, em uma fase. Nosso papel é buscar observar como o clima afeta cada localidade e discutir e apoiar as soluções mais adequadas, sem impor modelos”, reforçou Rodolfo Mota, coordenador doPrograma de Apoio à Gestão Pública do Instituto Votorantim. Guto Lobato, gerente-executivo de educação corporativa, membro da comitiva Report na COP30

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