Evento reforçou a necessidade de acelerar soluções climáticas, ampliar mecanismos de financiamento e integrar biodiversidade, desenvolvimento social e transição econômica.
A emergência climática, a perda de biodiversidade e a necessidade de acelerar a implementação de soluções estiveram no centro das discussões da Rio Nature & Climate Week (RNCW) 2026. Realizada entre os dias 1º e 6 de junho, no Rio de Janeiro, a iniciativa reuniu mais de 6 mil participantes de diferentes setores para debater caminhos capazes de transformar compromissos em ações concretas.
Na abertura da conferência principal, o climatologista e pesquisador brasileiro Carlos Nobre conduziu a palestra “Emergência climática: desafios a serem enfrentados”, destacando os riscos associados ao limite de 1,5°C de aquecimento global. O especialista também alertou para os impactos da perda de biodiversidade nos biomas brasileiros e reforçou a importância de avançar em agendas como desmatamento zero, restauração florestal e fortalecimento da sociobioeconomia em territórios indígenas e comunidades locais.
Ao longo da semana, representantes do setor público, empresas, academia, investidores e organizações da sociedade civil discutiram temas como justiça climática, transição energética justa, sustentabilidade empresarial, bioeconomia, adaptação climática e o papel estratégico do Sul Global na construção de uma economia de baixo carbono.
Financiamento climático ganha protagonismo nos debates
Paralelamente à programação principal, a RNCW contou com uma série de eventos-âncora dedicados a temas prioritários para a agenda climática e de biodiversidade. Entre eles, o III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza reuniu lideranças nacionais e internacionais para discutir caminhos capazes de ampliar a implementação de soluções em diferentes territórios.
A equipe da Report acompanhou os debates, que abordaram desde a relação entre cidades e florestas até mecanismos financeiros voltados à adaptação climática e à proteção da biodiversidade.
Entre os principais temas discutidos esteve a necessidade de ampliar instrumentos financeiros capazes de apoiar municípios vulneráveis, fortalecer projetos locais e reduzir riscos para investidores. Também ganharam destaque as discussões sobre monitoramento de dados climáticos, métricas de impacto e mecanismos de blended finance para atrair capital destinado a projetos nos países do Sul Global.
“Durante as mesas-redondas, ficou evidente a disposição das instituições em avançar na implementação de soluções climáticas adaptadas às diferentes realidades do Brasil e do mundo. O consenso é que existe liquidez para financiar a transição. O desafio agora é transformar essa ambição em projetos bancáveis e conectados às vulnerabilidades e necessidades locais”, Leonardo Diniz, consultor de Sustentabilidade do Grupo Report, que esteve no evento.
O futuro da RNCW
Em uma semana marcada pela pluralidade de vozes e perspectivas, a Rio Nature & Climate Week reforçou uma mensagem recorrente em diferentes agendas: enfrentar os desafios climáticos exige integrar soluções para clima, biodiversidade e desenvolvimento social.
Os debates também evidenciaram o protagonismo do Sul Global na construção dessas respostas, valorizando o papel de comunidades indígenas, conhecimentos tradicionais e mecanismos de financiamento capazes de acelerar a implementação.
Ao consolidar seu calendário até 2030 e ampliar sua presença em fóruns internacionais, a RNCW fortalece a posição do Rio de Janeiro e do Brasil como espaços estratégicos para o avanço da agenda climática global.